À deriva

Outro dia assisti o filme Riddick, não recordo se 1, 2 ou 3, de ficção científica, com Van Diesel, – por sinal muito ruim, em minha gigantesca ignorância sobre a sétima arte -, tendo como cenário um planeta estéril de uma galáxia distante, uma tempestade ácida cai umedecendo a terra e fazendo brotar, instantemente, bestas do chão que devoram pessoas.

O Feicebuque se assemelha muito ao terreno infértil daquele planeta, em que nada pode germinar, desde que você não provoque uma tempestade. Nas terras do Mark Zuckerberg basta postar um texto, ácido, sério, crítico, contundente de sua lavra, expondo seu pensamento sobre algo tema que não seja atrativo aos olhos de alguns. Logo, logo as bestas rompem o chão em uma ferocidade que lhe são peculiares, ganham vida e passam a lhe “caçar” com seus dentes serrilhados, línguas bifurcadas, caudas com ponta de seta buscando devora-lo vivo, sem ao menos lhe dar chance de defesa.

Há pouco, em uma publicação do amigo Givanildo Silva, disse que o Brasil se tornou um pântano perigoso, onde é raso para se navegar e movediço demais para caminhar. A todo momento fico mais convicto disto, diante das frases proferidas por gente que devia se calar ou no mínimo incentivar o diálogo civilizado e por, deter determinados cargos de comando deviam se conter e não descer ao subsolo, para não dizer ao esgoto.

Mas, o que esperar de uma pessoa que diz que usava o auxílio moradia para “comer gente”, “vamos fuzilar a petralhada”, “não lhe estupro porque você não merece”, “sonego tudo que puder” ou ainda do sujeito que é criminoso confesso e diz que pediu perdão a Deus e foi perdoado, há ainda outra que viu Jesus na goiabeira? Sem falar dos “cidadões” do novo presidente do INEP, Marcus Vinicius Rodrigues, ou a magistrada Marília Castro Neves, dizer num grupo no Facebook que o deputado federal Jean Wyllys deveria ser executado?

Não que seja pessimista e faça coro aos que engrossam o cordão do quanto pior melhor, sou opositor ao Tapir, sim senhor. Mas, aqui é meu lugar, este é meu país, aqui me fiz e aqui sou. Gostaria de ver essa Besta gerar melhores condições de vida aos mais humildes, lhes proporcionando empregos dignos, saúde, educação…Entretanto, o que rasga o horizonte não é lá muito promissor.

Um burro xucro que imagina estar no ensino médio, fazendo beicinho, “inticando” e não se dar conta do tamanho da responsabilidade que lhe puseram nas costas. Sexta-feira (26) logo, após o crime em Brumadinho, vomitou “Se bem que a questão da Vale do Rio Doce não tem nada a ver com o governo federal”, para logo em seguida vários Ministérios e o próprio Governo se colocarem a disposição das vítimas. Não há perspectiva de melhoras nesse vai-e-vem, não existe confiabilidade em sua fala, não há projeto de governo, apenas medidas espaçadas descoordenadas. Estamos à deriva, navegando em meias-verdades.

 

 

 

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