Creio em São Luís Scrosoppi

Gosto de futebol, sim senhor! Vou torcer pela Seleção Brasileira e, aviso logo, não vou vestir verde e amarelo porque ninguém me deu uma camisa. Patriotismo tem limite; o preço de uma camisa amarelinha, nos camelôs do Alecrim já está a pouco Reais dos cobrados pela CBF.
O melhor jogador brasileiro dos últimos tempos, depois que virou o “menino Ney”, pedala entre craque, celebridade e personagem de reality show. Mas, se entrar em campo, parar de comer grama por alguns minutos e fizer gol, não vou berrar nem mugir em êxtase bovino. Vou apenas gritar “gol”, como qualquer torcedor que ainda acredita nos milagres de São Luís Scrosoppi.
Talvez, se Nova York ficasse ali pelas cercanias de Mossoró, entre Jucuri, Umari e Passagem de Pedra, eu até fosse ao MetLife Stadium assistir a algumas partidas. Mas a geografia, a cotação do dólar e minha conta corrente referendam a conspiração em sentido contrário. Além disso, minha simpatia pelos ianques é parecida com a que dedico às caminhadas.
Prefiro o Velho Mundo, embora a elegância das avenidas largas de Paris também, foram alicerçadas sobre ossos, suor e sangue daquele que sentaram do lado esquerdo do rei. A diferença é que, por lá, a história costuma vir embalada em belas paisagens.
E, convenhamos, se eu resolvesse guardar minha ignorância num bisaco e me aventurar pelo aeroporto JFK, com esta minha cara de fome de anteontem, certamente o ICE me ofereceria um hot dog, ou quem sabe, aplicava um Taser me despachando de volta para as terras dos potiguaras.
Na verdade, torço mesmo é por Ancelotti. Um sujeito que recebe cerca de R$ 60 milhões por ano da CBF merece conquistar esse hexa para pendurá-lo no rosário de títulos que já carrega. Né não, seu João?
Brito e Silva – Cartunista


