Artigo

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Por quê vocês me odeiam?

Nestes dias pré-carnavalescos, Maria foi acometida de uma crise braba de Labirintite. Impedidos de recebermos ajuda, obrigado fui a pôr “armadura” para enfrentar os seres “nativos” do ambiente mais horripilante e hostil da casa: a cozinha. Do universo chinês vem essa máxima: “Por quê você me odeia se eu nunca lhe ajudei?”. Entretanto, falo no plural quando vejo garfos, colheres, facas e panelas sujas fixando os olhos em mim cheios de má-intenções, com caras de Freddy Krueger. Que me lembre nunca entrei numa cozinha para lavar, enxugar, fazer, café, almoço, lanche, jantar e no dia seguinte seguir o roteiro pré-agendado. Por isso, não entendo essa malquerença e notória antipatia dos utensílios da cozinha comigo, se nunca lhes fiz bem ou mal algum a nenhum deles. 

Não relato isto com orgulho, a bem da verdade, digo com muita frustração. De joelho sobre milhos devo confessar duas obesas invejas que se fizeram amigas desde há muito: cozinhar e tocar violão. Estas magnificas grandes artes que independem de seus ingredientes. O violão de Kurt Cobain, que foi vendido pela bagatela de US$ 6 milhões (aproximadamente R$ 32 milhões), nas minhas mãos não teria o valor de um comprado por Gilberto De Souza, na “Peda” do Buraco do Tatu, lá em Mossoró, com sua maestria, certamente, faria soar acordes divinais ou um Tucunaré, se nas minhas ignorantes e rudes mãos seria apenas uma ginga sem tapioca e nunca uma deliciosa peixada do Porão das Artes, lá em Pium, saida das panelas de Nelson Rebouças.

Fui sempre o “bendito fruto entre as mulheres”. Quando minha mãe morreu, fomos morar com nossa tia Geralda, irmã de minha mãe. Ela não tinha filhos dedicando-se totalmente a nos proteger e nos preservava de tudo, não nos alienando, mas não nos deixando fazer o que ela – e para época – achava desnecessário, pois, lá sempre havia muitas amigas para fazer de tudo. É verdade que às vezes quando faltava “visitante” e Maria decidia esticar seu final de semana e as namoradas “batiam fofo”, eu e Neguinho, meu irmão do meio, fechávamos todas as portas e janelas e varríamos, espanávamos os móveis, lustrava-os com Óleo de Peroba – ainda lembro do rótulo de um índio com penachos -, depois passávamos o pano com Pinho Sol na sala e quartos. Porém na cozinha era Dona Geralda que comandava, lá era ambiente sagrado. Portanto, hoje, se frito um ovo mexido, é uma vitória entanto. 

É verdade que nisto tudo poderia haver e há um certo machismo, afinal somos uma sociedade predominantemente patriarcal e machista, se assim ainda podemos chama-la apesar do século XXI. Mas na metade do século passado, homens no fogão somente em algumas entidades como nas Forças Armadas os famosos “taifeiros”, nos grupos de tropeiros no Nordeste, nas comitivas no Centro-Oeste. Mas na cozinha de casa, ali, sujando o avental, quem dava as ordens era a mulher. Quando uma vez ou outra tentava de fininho “beliscar” a panela, Helena dizia: “Saía daí, na minha panela ninguém mexe”.

Já decidi. Firmei promessa a São Benedito, protetor dos cozinheiros, com papel lavrado lá no cartório do tabelião Airene Paiva, como testemunha intimei o também amigo Moacir Barros, da HidroNordeste: assim que Maria parar de “rodopiar” e eu ter mandado a Bursite prascucuias, vou assistir ao Mais Você, com Ana Maria Braga, pelo menos três vezes por semana. Ainda pedi um adendo: pra evitar que ela ria muito. 

Brito e Silva – Cartunista

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Caricatura

Hoje quinta-feira, 4 de janeiro, fui agraciado com mais caricatura, desta vez assinada por um dos mais habilidosos artistas gráfico digital, o velho companheiro de guerra, editor da Revista Papangu, Túlio Ratto.

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Caricatura

Hoje, 3 de janeiro, recebi um belo presente: desenho assinado pelo meu amigo de traços e de longas jornadas, Laércio Eugênio Cavalcante. Onde consta minha caricatura e do genial cartunista potiguar, radicado na terra dos iluministas há mais de 20 anos, Joe Bonfim, que além de tudo, também domina um “pinho”.

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Pão Doce de Coco

Por Brito e Silva – Cartunista

Ouvi ou li em algum lugar a existência de uma mulher extraordinária chamada Elizabeth, dotada de superpoderes, isto é, de sentidos não convencionais. Na verdade, parece coisa saída dos quadrinhos do Universo Marvel.

A moça escuta músicas como todos nós, entretanto com alguns plus adicionais: ela também consegue enxergar a música, ver notas em várias cores e não se prende apenas nisto, incrivelmente, também sente o sabor de cada nota musical na ponta de sua pródiga língua. Os cientistas denominam esse fenômeno de sinestesia — a palavra tem origem no grego e é o resultado da fusão das palavras “união” e “sensação”.

Meus cinco sentidos são mixos. Não sou dotado de nenhum dom extraordinário, muito pelo contrário, depois do AVC (Acidente Vascular Cerebral) e 61 anos no “muncumbu” meu paladar pobre de qualquer gosto refinado, somente reconhecia rapadura com farinha, feijão com arroz, tripa de porco, buchada de bode, panelada, cuscuz, pão doce e dindin de coco queimado — pobre é uma desgraça —, piorou muito limitando-se a H2O, talvez por não ter sabor, cheiro ou cor. A audição de tanto ouvir Freddie Mercury e Montserrat Caballé e Gal Costa, ficou avariada me deixando um pouco mouco, a visão castigada pelas luzes das milhares de horas nas pranchetas pela vida afora, hoje, para eu ver um elefante ela se faz pedinte de grossas lentes Varilux bifocais. O tato? Vai ainda dando pro gasto.

Porém, meu olfato é fantasticamente fantástico e deslumbrante ou não — como diz aquele votando do Ciro, o Cae. Meus cheiros têm gostos e imagens. Talvez tenha herdado dos ursos. Por que não? Ora, compartilho mais da metade de minha carga genética com um pé de pinhão roxo, que Maria adestra aqui na sala contra mau-olhado. Tenho sim, olfato de urso. Quem discordar, é por pura inveja.

Pois bem, moro em frente a uma padaria, que certamente, seu forno é industrial elétrico, deve consumir quilowatts de energia elétrica, pois, de sua chaminé não sai nem preta ou branca fumaça e seu pão para meu dissabor não tem o gosto e o cheiro dos pães da padaria de seu Arlindo, lá nos Paredões, em Mossoró-RN. Porém, há pouco caiu o “Nordeste” trazendo um aroma familiar de uma fornada de trigo bem assado quentinho me catapultando aos anos 70, para minha casa, a qual era separada da padaria por um bequinho de mais ou menos um metro e naquelas tardes de todos os dias, exceto dias santos e domingos, sentíamos o calor da lenha sendo atiçada para primeira leva de pão.

Os cheiros e sabores ao vento preenchiam toda a nossa cozinha. O cafezinho feito por Helena — in memorian — no bule excitava a manteiga Itacolomy que toda derretida esperava somente o pão quentinho posta-se à mesa. Depois, uma pelada na rua, de pé no chão, jantar e esperar os amigos para irmos ao Colégio Dom Bosco, nera Delba? Maria, me traga dois guardanapos, um para boca outros pros olhos!

O Bufão bufou
Depois sofrer um “gancho” de direita na “tauba” do queixo disparado pelo Doria, sendo o primeiro a começar a vacinação, o “anjo caído” escafedeu-se, sumiu e quando deu as fuças foi fazendo ameaças à democracia.
Sentindo seu plano genocida derrota pela Coronavac, o Bufão bufou!

Habemus Vacina
Desde a terça-feira, dia 19, estamos vacinando os potiguares. Minha esperança nunca esteve tão em alta. Não seria o “anjo caído” que iria pô-la à lona. De cadastro na mão com a manga da camisa arregaçada, o braço e o grito na garganta preparado para vacina. Contando as horas de poder abraçar meus filhos e netos.

Séries
Enxergar o erro alheio é um prazer Depois que minhas filhas me viciaram em séries, devoro as da Netflix como se fosse filmes no Cine Pax. Esta semana passada vi de uma tacado só as quatro temporadas de Frontier, de sobremesa, arrematei com a primeira temporada de Damnation. Entretanto, ando meio a flor da pele: foram tantas mortes que não consigo imaginar onde e como os produtores irão buscar mais atores e coadjuvantes para continuação das próximas temporadas.

Vacina
Meu amigo Delegado (Porteiro, filósofo, monge e sociólogo) me confidenciou que já se cadastrou para virar “jacaré”. Segui-o.

Caricatura
Laércio Eugênio como carimba suas obras e o conhecemos, foi parido em Frutuoso Gomes/RN, no Sítio Mata Seca e apesar de rodar mundo mostrando toda a fidelidade ao torrão nascido imprimida em suas telas de belas paisagens sertanejas, escolheu o País de Mossoró, para sentar moradia.

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Encontro Magnético

Nos anos 80, no jornal Gazeta do Oeste, sempre apareciam algumas figuras falastronas, folclóricas, buscando seus 15 minutos de fama ou talvez, a posteridade. O certo é que lá pelas 19h a sala de arte e diagramação era o “point”, todos se reuniam por lá para contar piadas, falar mal uns dos outros e até segredar algum fato de última hora. Claro, em milésimo de segundo das Barrocas ao Belo Horizonte, do Abolição IV às Malvinas o assunto já era pauta em suas calçadas.

Pois, muito bem. Neste clima havia um “sujeito” sempre gabando-se do tratamento dedicado aos seus amigos, dizia: “Amigo meu não tem defeito, inimigo se não tiver eu invento, levanto falso e provo”. Não chego a tanto, mas fico meio abestalhado, me minam os olhos como cacimbas de leito de rio seco, quando um faz algo do qual nos deixa vaidosos de tê-lo como amigo, me dá um orgulho danado de viver no seu tempo. Diria que amigo é pra essas coisas: nos fazer bem.

Dito isto, tive uma grata e deliciosa surpresa auditiva, foi um encontro magnético e cibernético em um fim de tarde com Sérvulo Godeiro, a quem conheço de longas datas, desde os tempos de Gazeta do Oeste. Era sabedor do seu gosto e notório saber refinado da nossa música popular brasileira, mas não que fosse compositor ao qual foi apresentado pelo bem polido álbum POTIGUARANIA.

O POTIGUARANIA, traz letras ricamente elaboradas alicerçadas por melodias às vezes suaves como a brisa de Ponta Negra, outras mais fortes e vigorosas como as ondas do mar da Redinha, porém, nos passando uma sessão de capricho e delicadeza. Há leveza em cada frase emitida, a cada acorde vibrado. Certamente, será um afago aos ouvidos mais exigentes de gosto de sintonia fina.  

Sem falar dos interpretes. Aliás, vou falar: Transparece que cada um deles solta a voz como se fosse a única música existente, como se fora uma oração, um apelo aos céus tornando o POTIGUARANIA único. Parabéns, Sérvulo Godeiro e Carlinhos Santa Rosa.

Brito e Silva – Cartunista

POTIGUARANIA

01. Rio Grande – Valéria Oliveira 
02. Encontro Magnético – Pedro Mendes 
03. Grão – Diogo das Virgens
04. Ribeiras – Wigder Vale 
05. A volta – Moisés de Lima 
06. A Terra é aqui – Lysia Condé 
07.  Matizes – Silvia Sol 
8. Os Ventos – Diogo das Virgens 
09. Sonho bom – Lene Macêdo 
10. Andar, andar – Sueldo Soares 
11. Fim de tarde – Valéria Oliveira 
12. Pra Viver – Ângela  Castro e Rafael Bastos 
13. América – Yrahn Barreto 
14. Semba Uã  – Sami Tarik 
15. Grande Ponto – Lene Macêdo

Gravado, mixado e masterizado na Beju Estúdio com direção musical e arranjos de Jubileu Filho. 

Músicas de Sérvulo Godeiro e Carlinhos Santa Rosa. Exceto a música Matizes em parceria tripla com a poetisa Danúbia Pinto.

link do Youtube POTIGUARANIA

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A cultura da bala

Lá em meados dos anos 70 quando chegava a segunda-feira a gente já estava pensando qual seria o vesperal do Cine Pax ou Cine Cid, se Dona Geralda – Minha mãe – iria nos dar dinheiro para novamente ir “aperriar” Balão e na volta tocar a campainha da casa de Seu João Cantídio e correr até ficarmos esbaforidos pondo os bofes pra fora. Então, para garantir a empreitada dominical, ficávamos de “zuvidos” colados na nossa Rádio Vitrola ABC Isabela V – ABC Voz de Ouro, sintonizada na Rádio Rural de Mossoró, de olho nos anúncios dos filmes para final de semana e se a entrada seria com garrafas de vidro, se fosse assim,o dinheiro do ingresso já garantia o sorvete ou a entrada a noite, no Cardeal Câmara, do da Igreja São José, aonde certamente, dançaríamos Twist and Shout – The Beatles. 

“Flechas Ardentes”, “Um Dólar Furado”, “Keoma”, “Era Uma Vez No Oeste”, “Maciste”, “Ben-Hur”, Operação Dragão”…Enfim, todos filmes de luta, exceto no final de ano que o cardápio mudava: “Paixão de Cristo”. “Dio Como te amo”, Love Story”….Entretanto, o que encantava a todos nós pré-adolescentes e adolescentes eram os filmes de luta. A maioria possuía ou pensava em ter um revólver de alumínio com espoletas ou aprender a lutar Karatê e sair esmurrando paredes e inimigos ocultos, imitando Bruce Lee, pois eram assim os “mocinhos” da grande tela: bravos, fortes e naquele mundo selvagem resolviam tudo a bala ou a golpes de lutas marciais.

Eu já dava meus primeiros passos em leitura mais densas, como os Os Irmãos Karamazov – confesso que não entendia bulhufas, mas servia pra eu me “amostrar” com os amigos – também já começava a perceber certos boatos sobre comunistas e a ditadura militar, gente desaparecida, essas coisa. Mas, ainda assim, nossos heróis não morriam de overdose, mas de bala.

Era a cultura da bala sendo implementada pelos italianos nas terras dos yankees que rapidamente aprenderam. Hoje, ainda na cama, liguei a tv e não para minha surpresa estava sendo reprisado pela milésima nona vez o “De volta ao Jogo”, com Keanu Reeves, no qual interpreta um assassino profissional aposentado, que volta a ativa para vingar a morte de seu cachorrinho de estimação.

Esta foi a terceira vez que tentei contar quantos pessoas John Wick mata, mas sempre sou interrompido, já tinha somado 3.433 mortes, quando o WhatsApp me tirou atenção, marquei a cena, da próxima vez que topar com John Wick continuarei de onde parei. Segundo Maria, não deve ter sobrado uma alma viva no set de filmagem.

Brito e Silva – Cartunista

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Saúde e pão

Por Socorro Oliveira

Você já pode ir embora, me despeço de você sem remorso, não quero mais a sua companhia noturna, não quero mais a sua mordaça, nem seus cuidados extremos, não quero mais as notícias e suas dores anunciadas.

O amanhã é incerto, ainda iremos viver um bom tempo acorrentado a você, até porque o governo que nós temos ainda nos acorrenta a incerteza do amanhã. Vai demorar muito para recuperar mais “não cortaremos os pulsos, ao contrário, costuraremos com linhas duplas todas as feridas abertas” Como diz a romancista brasileira no livro “A disciplina do Amor” (Lygia Fagundes Telles).

Neste ano de 2020 aprendi que a vida sempre segue em frente, mesmo com as perdas, mesmo sem os abraços, mesmo com lágrimas nos olhos. Nesta vida e desse momento levarei a leveza de saber que estou viva pra contar, pra escrever, ainda vivo para os que amo e me amam e daqui só carregarei o amor, como diz Cecília Meireles no poema Desenho, do livro Mar Absoluto “Aprendi com as primaveras (plantas) a deixar-me cortar e a voltar sempre inteira”.

Muitos não sobreviveram para poder registrar o que aconteceu, como atravessamos esses dias tristes, sem as gargalhadas das minhas crianças, sem os abraços, o sorriso de satisfação da comida predileta.Não consegui me despedir do meu irmão que partiu sem vê-lo, não nos foi permitido comemorarmos datas importantes. Festejo daqui escrevendo, parafraseando meus autores prediletos, espalhando amor, acredito que amar nunca é demais, e que “o amor deveria ser um vírus”, como sempre fala minha amiga Joana.

Que esse NOVO ano que bate à nossa porta, venha com uma boa dosagem de vacina, de amor ao próximo, até de poesia e como diz John Lennon “A vida é aquilo que acontece enquanto você está fazendo planos”. Então vamos viver, pois de surpresas nos basta, você 2020, que já vai tarde.No virar da meia noite “Na hora em que a terra dorme… Enrolada em frios véus… Eu ouço uma reza enorme… Enchendo os céus…” Castro Alves.

SENHOR abençoa meus filhos, meus netos, meu povo tão sem rumo, traz VACINA, saúde e pão a todos.30/12/2020

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O “novo normal” do tempo do ronca

Natal findou, hora de arrumar a casa, lavar a louça e aparar as arestas das discussões que permearam toda noite do papai Noel: “deveria ser perú, não Chester”, “não gostei do Arroz  com passas”, “que vinho horrível…”. Sem falar do cunhado que bebeu coquetel de whisky, vodka com groselha e, inconvenientemente passou a ser o centro das atenções, contando piadas sem graça, revelando segredos que todos sabem e são protagonistas, ofuscando o enjoado, enfadonho e anualmente repetido, o “amigo secreto”, que de James Bond não tem nada. Todos têm ciência com semanas de antecedência, o que vão ganhar e de qual bolso foi desalojado compulsoriamente o cartão de crédito à compra. 

Parece um cenário comum à noite de natal em muitos lares, nos quais milhares de famílias se reúnem para ceia natalina e, o é. Entretanto, de outros natais, não deste de 2020.

Este ano, a mesa de doze lugares ou a de quatro sobrou cadeiras, por causa do impedimento social ou porque muitos partiram para sempre, para nunca mais voltar. Não houve empurra-empurra, a algazarra das crianças correndo em volta dos móveis e cristais foi tomada pelo silêncio, pela ausência do som dos risos, gritos e sobretudo dos abraços dos netos. A casa, até vestiu-se de cores vibrantes: vermelho, branco e verde, muito verde, cor a qual lhe colocaram sobre os ombros a pecha de carregar as nossas esperanças, mas os olhos mostram tons pastéis, desbotadas e sem viço expondo cenário para um filme que não vai ser “rodado” ou talvez seja, mas sem atores: um filme triste, mudo em preto e branco.

Passou, terminou o natal e Noel já voltou à Lapônia. Agora, vem o Ano Novo, o esperado 2021 no qual jogamos todas as fichas, afinal e por fim, teremos a vacina contra o mal-humorado e criminoso vírus. Logo teremos carnaval, micaretas, pastores-curandeiros tomarão a vacina, as igrejas irão encher seus salões e cofres, empresários rirão com seus metais, políticos dirão que foi deles a “cura” do mal. Certamente, em 2021 estaremos vivendo o tão propalado “novo normal”, porém, com os velhos hábitos: desdenhar da fome alheia, olhar para o próprio umbigo e nas primeiras horas pós-pandemia planejaremos o natal de vindouro e, claro, como corriqueiramente acontece, não convidaremos o dono da festa. Quem? Perguntariam os mais desatentos ou então diriam: Noel! Noel não, direi: Aquele que faz aniversário no dia 25 e, teve os ensinamentos esquecidos por seus infiéis fiéis. 

Mas também sem querer estragar o prazer de vocês, apenas alerto aqueles que irão ao mar pular as setes ondas, para que tenham muito cuidado ao fazer o pedido. Em 2018, ficamos surdo de gritar “Fora Temer”, nos deram o Capitão Bufão, reclamamos de 19 e veio 2020 com a pandemia. Vou seguir o conselho do meu amigo Josias e estou consultando búzios, tarôs e os astros a busca de uma prévia, uma avant-première, um spoiler, qualquer sinal que mostre a cara de 2021 para poder me precaver das surpresas desagradáveis, que por ventura esteja programada. De toda forma, todo meu estoque de Rivotril já zerou e até o momento não consegui chegar a uma conclusão das mensagens enviadas pelo alinhamento de Júpiter e Saturno. Na verdade, a única resolução que percebi é que o “novo normal ”será tão velho quanto o bumba, “do tempo do ronca”. 

Brito e Silva – Cartunista

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“Lá,lá,lááá,lá…Lá,lá,lááá,lá ou Hallelujah





Nós, os latinos somos um povo que falamos não só com o conjunto bucal, mas também o nosso corpo todo expressa uma carga de sentimentos e desejos. Gostamos do contato físico, do afago, de um aconchego, um cafuné, um abraço. É impossível e totalmente inaceitável encontrar um amigo e não oferecê-lo um abraço e ainda, dentro dele uns tapinhas nas costas, como reafirmando, que aquele encontro é generosamente prazeroso e feliz. “O melhor lugar do mundo é dentro de um abraço”, diz a banda Jota Quest, numa feliz inspiração em sua música Dentro de Um Abraço. Não poderia ser mais precisa e real tão bela frase.

Entretanto, nestes tempos de medo e pandemia, um desalmado vírus nos impôs compulsoriamente o isolamento social. Nos separando fisicamente dos amigos, dos filhos, netos e parentes, trancafiando e condenando todos nós à solidão, de noites sem luar e dias sem calor. Diz Zeca Baleiro que anda tão à flor da pele que qualquer um beijo de novela o faz chorar. Ora, Zeca meu amigo, eu choro até assistindo MMA. Sou chorão por nascença.

Devo confessar que tenho chorado pra cachorro, principalmente, de saudades dos netos, os quais são nossa alegria de vida, são eles que enchem a casa ocupando todos os espaços, espalhando luz e vigor por todos os lados, quando estão o silêncio rende-se a algazarra. Há uns quinze dias toca meu telefone, era minha filha Pollyanne – mãe de Valentina – dizendo pra eu sair na janela, que Valentina tinha pedido a Felipe – pai dela -, para ver vovô “Bito” e vovó “Totorro”, pois estava morrendo de saudades. Quase não a vi, por causa das águas que jorravam dos olhos. Neste sábado,19 de dezembro de 2020, foi Lívia, filha de Jade Brito/Roberto, que a menos de dois metros nos oferecia seus abraços e, ante as nossas recusas, sem entender ela sorria e cantava “Lá,lá,lááá,lá…Lá,lá,lááá,lá. Ah! Vírus maldito, maldito seja vírus ruim, sem coração. 

Porém, para restabelecer minha esperança, como não sei rezar, canto. Todos os meus netos têm uma música, para que possam permanecer próximos, mesmo em Santiago do Chile ou nas Quintas, no Serrambi ou a quatro quadras da minha casa, no Barcas, quando a saudade bate ligo o player. 

Kaylanne minha neta mais velha, quando começou a aprender tocar violão gravou um vídeo dedilhando “Parabéns, pra você…” Portanto, se um dia eu cantar “Parabéns, pra você”, fique certo estou lembrando dela; Aléssia “Puro e Simples”, uma linda música gospel. Certa vez no carro ouvíamos Aleluia e Enzo com uns dois anos começou a cantar, logo se apropriou; Valentina, ainda criança com uns dois anos – hoje, com 4, mas acredita ter 15 -, cantava João e Maria e dizia Vovô “bito” e Lívia quando antes da pandemia, com poucos meses de vida Maria balançava ela para dormir cantarolando Aleluia, na base do “lá, lá, lá”, hoje ela nos embala e dispersa nossas saudades, via vídeo, cantando “Lá,lá,lááá,lá…Lá,lá,lááá,lá!”

Brito e Silva – Cartunista e avô.

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Triste dia feliz

Quando o coração acorda apertado fazendo você voltar à posição fetal
Buscando colo, afago, carinho maternal.
Por onde andou minha alma enquanto eu estava adormecida
que não voltou com aquela alegria corriqueira?

Que abraços negados se recusaram a abraçar?
Meu mundo revestiu de tristeza meu sorriso
Por não poder conduzir meus pensamentos
E meus passos inconscientes.

Ecoa ainda na minha cabeça o mundo em pandemia
De saber dos que partiram sem se despedir
Deixando braços vazios
Uma música me tira da inércia do dia.

Um chamado de mãe me sacode
A realidade ali, logo abaixo da minha janela
O coração salta mais os braços continuam vazios
Chora o afago sufocado.

Triste feliz dia, que te vejo e não posso te conter
No colo tão saturado pelo tempo
Do vazio, da falta do meu ser
Que das minhas entranhas nasceram e longe foram viver.

Maria do Socorro

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Saudades

Poetas, escritores, dramaturgos, músicos e filósofos, todos  já definiram a saudade com infinitas e belas frases, melancolicamente bem dosadas,  na frequência certa, para nos fazer verter água nos olhos como cacimba em leito de rio seco. Entretanto, tem uma cunhada pelo grande e saudoso Gonzaguinha, que também o não menos grande Fagner, gravou: “Saudade a gente não explica, é coisa que vem do coração”.

Eu não tenho saudade, produzo em profusão, saudades. Isso mesmo, no plural. Delas, todos os dias tenho um balaio cheio.

Não que seja saudosista e viva inebriado pelo passado ou navegue sem rumo em um tempo pretérito que sabemos que não vem mais. Mas, certas lembranças até nos confortam, provocando uma saudade boa. Outro dia o amigo Givanildo falou – falou não, provocou – do tempo em que fomos sócios: Eu, ele e Phabiano Santos, na agência de publicidade Modus Propaganda, ali na Avenida Alberto Maranhão, em frente a igreja São Vicente, em Mossoró/RN onde passamos grandes momentos profissionais e pessoais, certamente, éramos mais ingênuos e talvez, por isto mesmo, fomos felizes. Mas, imperiosa, a amizade ficou e floresceu. 

Hoje, amanheci ouvindo Sunny, com Vanusa, logo depois soube de sua morte, fiquei com saudades. Um monte Cabugi de saudades me veio à memória: de sua quase sempre companhia com rota traçada à Mossoró para ver filhos e netos. Saudades do jornal O Mossoroense, Gazeta do Oeste, da Modus, Brito Propaganda, BN Propaganda – Nilton, cadê você?. Outro dia, me peguei sonhando acordado com a TV e o jornal Rio Branco. Destes lugares trouxe aprendizados, algumas frustrações, não perenes. Creio que saudade faz bem ao coração.

Entretanto, quando uma filha fala no WhatsApp; “E aí papai? Saudades!” Aí você sabe o que é saudade. O cabra que é valente, chora.

Jade, filha minha. Minha saudade é tanta – de todos vocês que só vejo pela internet, há pelo menos 9 meses -, não sei dizer o tanto e o quanto. Sei que é dorida. 

Brito e Silva – Cartunista

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Prêmio Vladimir Herzog

Natal, 26 de outubro de 2020

Aos  meus netos.

Ontem,25, foi realizada a cerimônia de entrega do 42º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Por causa da pandemia, parte foi gravada e transmitida pela internet.

O Vladimir Herzog é o maior e mais importante prêmio da imprensa brasileira, que presta homenagem e reconhece o trabalho de jornalistas, repórteres fotográficos e artistas do traço que, por meio de seu trabalho cotidiano, defendem a Democracia, a Cidadania e os Direitos Humanos.

Quem foi Vladimir Herzog? Jornalista, professor e dramaturgo brasileiro naturalizado. Nascido na Iugoslávia, em 1937, filho de um casal de origem judaica. Durante a Segunda Guerra Mundial, para escapar do antissemitismo praticado pelo estado Croata, então controlado pela Alemanha Nazista, a família fugiu para a Itália, depois para o Brasil. 

Foi diretor do departamento de telejornalismo da TV Cultura, professor de jornalismo na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP). Militante do Partido Comunista Brasileiro, se tornando uma liderança de resistência contra a ditadura. Depois de se apresentar voluntariamente para “prestar esclarecimentos” sobre seu envolvimento com o Partido Comunista. Foi preso, torturado e assassinado, em 25 de outubro de 1975, pela ditadura, nas instalações do DOI-CODI, no quartel-general do II Exército, em São Paulo/SP. Seu assassinato foi negado pelas forças reacionárias, diziam que foi suicído, até uma foto emblemática, no qual aparece quase de joelhos com um cinto no pescoço amarrado a uma grade. Peritos – a foto desmistificava e desmentia – atestaram a impossibilidade de  alguém se enforcar daquela forma. 

Voltando ao Prêmio. Nenhum de nós, participantes do movimento CHARGE CONTINUADA em solidariedade ao cartunista Aroeira, ameaçado pelo Presidente da República, o famoso Capitão Bufão, o fez para ganhar prêmio. Mas sim, para demonstrar nosso apoio a um colega e defender a liberdade de expressão, hoje, tão atacada. 

Minha infância, adolescência e parte de minha vida adulta, foi sob o regime militar e lhes digo: ler, ouvir, falar, cantar, escrever, vestir, fumar, beber, desenhar não do seu jeito, mas do jeito que “eles” queriam. Viver com medo e sem liberdade não foi boa experiência.

Por isso, desde cedo decidi, dentro do meu micro-universo, travar luta em favor das liberdades e balizado por leituras e ensinamento de um Jovem Galileu, o qual lutava por justiça, segui em frente. Em 1979, entrei para o jornal Gazeta do Oeste, onde consegui ampliar meus horizontes e firmar meu pensamento. Participei do movimento sindical: gráfico e jornalístico, nos anos 80 fui para a Cooperativa do Jornalista de Natal, sob a batuta do velho comunista Luciano e, até hoje, luto, imagino e quero um mundo melhor para todos os trabalhadores.

Haverá quem queira minimizar ou desdenhar deste PRÊMIO DESTAQUE por se tratar de uma comenda coletiva, Ora direi: Ele é importante, e talvez, ficou maior, exatamente pela simbologia imprimida à luta de todos, visto que foi criado especialmente para esse movimento dos cartunistas:  

“De fato, foi tudo muito desafiador porque sem antecedentes e modelos. Tivemos que criar tudo do zero e baseado apenas em algumas experiências remotas que não tinham, nem de longe, a dimensão e a complexidade do PVH. Mas foi o possível neste cenário atual de pandemia e pandemônio”. Ana Luisa Zaniboni Gomes, curadora.

Mas, o que quero dizer é que não importam suas vitórias e conquistas, se elas não tiverem alicerces nas boas batalhas, nas causas justas, se assim não forem,  certamente, irão perecer sem honra. Lutem por justiça!

Brito – Cartunista 

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TERRIVELMENTE JUIZ

Por Paulo Afonso Linhares

Apesar do que o ex-ministro da Justiça Saulo Ramos disse sobre ele no autobiográfico “Código da Vida” (“Entendi que você é um juiz de merda!”), o homem colocou no Supremo Tribunal Federal, o ministro Celso de Mello, se construiu como um dos grandes juízes daquela Corte mais do que centenária. Embora prolixo e quase sempre detalhista em seus votos, Celso de Mello tornou-se, nos 31 anos de atuação como membro da mais alta Corte brasileira, uma referência de julgador íntegro, liberal e progressista. Ao completar 75 anos vai para inatividade. Enfim, um grande magistrado deixa a bancada do Supremo Tribunal Federal nesse dia 13 de outubro de 2020, num dos momentos mais difíceis que esta nação enfrenta, nos seus múltiplos aspectos: social, econômico e político. 

O ministro Celso de Mello, com seu sotaque de forte acento paulistano e seus votos por vezes quilométricos, certamente será uma sentida ausência.  Saulo Ramos, genial advogado, decerto cometeu fatal equívoco: Celso de Mello jamais foi um “juiz de merda”. Foi integralmente juiz e, doravante, no belo tempo que lhe resta de existência, há de  experimentar a placidez do convívio de seus entes queridos. Sê feliz. Ave, Celso!

Um sobressalto, todavia, cercava a aposentadoria do ministro Celso de Mello: o presidente Bolsonaro, em momentos distintos, disse que nomearia um “ministro terrivelmente evangélico” , depois, que “tomasse cervejas com ele”. Nas duas afirmações um paradoxo inequívoco: fosse “terrivelmente evangélico” o futuro ministro não tomaria cerveja, porquanto não consumiria bebidas alcoólicas, como ocorre com os evangélicos.

Entretanto, somente dois requisitos  concorrem na escolha presidencial: notável saber jurídico e reputação ilibada. Posto que a reputação ilibada se baseie em circunstâncias quase sempre objetivas, o notório saber jurídico estaria sempre a ser submetido a complexas avaliações inter-subjetivas, tendo como objeto inevitáveis posicionamentos científicos e filosóficos, permeados, num plano mais fundo, por visões ideológicas e políticas.

O ministro Celso de Mello resolveu antecipar, por alguns dias, a sua aposentadoria e estabeleceu o dia 13 de outubro de 2020 para encerrar cinquenta anos dedicados ao serviço público. Grande Celso, que pouco ou nada fica a dever àquele que decerto fora a inspiração de seu nome, o filósofo Celso, o romano de origem grega que formulou o mais primitivo conceito do Direito (“ius est ars boni et aequi”: o direito é a arte do bom e do equitativo), e que levou à compreensão do que venha a ser a “justiça”.

Conhecedor de que o ministro Celso de Mello anteciparia a sua aposentadoria para o dia 13 de outubro de 2020, o presidente surpreendeu a nação ao anunciar que o seu indicado para substituir de Celso de Mello seria o desembargador federal Kassio Marques, do Tribunal Regional Federal de 1ª Região, competente magistrado há nove anos ( nomeado por Dilma Rousseff) que, por méritos próprios, já era candidato a uma vaga no Superior Tribunal de Justiça. 

A comunidade jurídica aplaudiu a escolha do presidente Bolsonaro, em especial a OAB que guarda, por seu presidente, Felipe Santacruz, enorme distância do Palácio do Planalto. Claro, no oceano de punitivismo penal que se tem no Brasil, inspirado sobremaneira pela ideologia ‘lavajatista’, a chegada de um juiz garantista ao STF –  entenda-se por garantismo penal a doutrina que tem como maior expoente e formulador o italiano Luigi Ferrajoli, que na sua acepção mais singela e que nos interessa aqui, seria um sistema de vínculos impostos ao poder estatal em garantia dos direitos dos cidadãos, sendo possível falar-se em níveis de efetividade  dessas garantias  previstas constitucionalmente e que se concretizam nas práticas judiciárias do Estado-juiz -, deve ser louvada como algo extraordinário, sobretudo, se essa realização pode ser atribuída a um governo de cariz ultraconservador como o do presidente Bolsonaro.

O garantismo penal de Kassio Marques está prefigurado em muitas das decisões que tomou na condição de desembargador federal do Tribunal Regional Federal da Primeira Região. Claro, ele pode continuar como garantista penal a exemplo do seu antecessor Celso de Mello, mas, poderá sofrer a mutação maligna – o beijo fatal do punitivismo penal – que contaminou gravemente Cármen Lúcia Antunes Rocha, Edson Fachin e, pasmem, Luiz Roberto Barroso. Antes de sentarem nas poderosas curuis da Corte Suprema brasileira, eram progressistas, garantistas, modernos e mesmo até esquerdóides, porém, o peso da toga os transformou em “terrivelmente” conservadores, obscurantistas e punitivistas radicais.

Assim, a boa expectativa é que Kassio Marques não abjure o seu passado de bom magistrado e que possa cumprir, no Supremo Tribunal Federal, onde decerto ficará por muitos anos, se Deus consentir, o bom e belo desígnio de revelar o direito nestes tempos estranhos de obscurantismo, barbárie e global pandemia. Salve.

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Pro dia nascer feliz

A passarinhada que faz pousada em um velho figo, aqui no pé de minha janela, hoje amanheceu mais alvoroçada do que nunca, com sons mais estridentes, nem parecia aquela sinfonia de ontem, anteontem e de sempre, que regida – digo porque vi – por um Bem-ti-vi de papo amarelo e às vezes auxiliado por um golinha anunciava o alvorecer.

Certamente, houve festa no céu. Todos cantando em tons diferentes,  entretanto, se dava para ouvir a alegria em um eufórico regozijo à vida de matar de inveja os raquíticos de imaginação. Essa turma muito me recordou uma que, ao “fechar” o jornal do dia, a Gazeta do Oeste, se dirigia com ligeireza de quem vai tirar o pai da forca, ao Kikão, ali na boa terra de Santa Luzia, mas na verdade ia beber água que passarinho não bebe e, se desse, pegar o sol com a mão. 

Lá Ferreira dedilhando Pombo Correio no seu companheiro violão em Si, alguns sem Dó, cantavam atravessado, enquanto ainda outros sacrificavam a harmonia batucando um samba para acompanhar. Mas, nada disto tinha relevância, pois, o que importava, de fato, era festejo à vida, amizade, alegria e cantar pro dia nascer feliz. Por isto digo e repito: Ontem, houve festa no céu e a passarinhada esbaldou-se. 

Brito e Silva – Cartunista

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É preciso saber viver

Larissa Brito

Natal-RN, 15 de outubro de 2020

Tenho 5 filhos, todos têm uma música e por razões diferentes, nas quais quando a saudade pensa em tocar a campainha, não dou a mínima soltando o som, revivendo momentos que, certamente, ainda teremos outros tão intensos ou melhores. Existe uma frase bastante popular, quando uma coisa é boa se diz: “Isto é música para meus ouvidos”. Ouvir de vocês pai, painho, coroa, é música para meus ouvidos. 

Você, Larissa minha bela bióloga, que não temos tempo para saudades, pois, nos falamos todos os dias, ainda assim, me dou ao luxo, depois de nossos longos papos, nos quais aprendo muito, com um clique no mouse vou ao Youtube ou me socorro do meu surrado – de surra mesmo, pois, o “bixin” apanha -, violão para tocar “É precisa saber viver”, e a cada frase me encanto com suas atitudes de quem sabe o que quer, mas como todos humanos responsáveis, têm dúvidas, entretanto, com ciência que “É preciso saber viver”. 

Quem espera que a vida 
Seja feita de ilusão 
Pode até ficar maluco 
Ou viver na solidão 
É preciso ter cuidado
Prá mais tarde não sofrer 
É preciso saber viver… 

Toda pedra no caminho
Você pode retirar 
Numa flor que tem espinhos 
Você pode se arranhar
Se o bem e o mau existem 
Você pode escolher 
É preciso saber viver… 

É preciso saber viver! 
É preciso saber viver!
É preciso saber viver! 
Saber viver!…

Feliz Aniversário filha minha. Larissa Brito
Do seu pai Brito.