Coragem grande é poder dizer sim!

Nos anos 80, mais precisamente em 1986, o Acre resolveu importar jornalistas a granel. O destino era o jornal Rio Branco e a recém-inaugurada TV Rio Branco, dos irmãos Narciso Mendes, então deputado federal, e Naildo Mendes, dois potiguares nascidos no Oeste do Estado – talvez daí venha a predileção pelos comedores de camarão.

De Natal, foi a diretora de TV Nadja Faria. Da terra da Santa do Olhos – Mossoró -, Kléber Barros, Renato Severiano, da Gazeta do Oeste, e Washington Aquino, d’O Mossoroense e da Rádio Rural.

Renato e Kléber, nas conversas por Telex – sim, aquele aparelho jurássico que merece um Google – insistiam que lá precisavam de gente como eu e Maria, criativa e talentosa, essas coisas que amigos generosos costumam dizer da gente. O problema era outro: bastava olhar o mapa. Acre? O mapa, sinceramente, não ajudava.

Mas, em junho de 1986, depois de muita insistência, aconteceu o inevitável. Como diria Caetano, “coragem grande é poder dizer sim”. E nós dissemos.

Naquela noite, em casa, comecei a desconfiar da minha própria coragem. Será que eu não tinha sido precipitado? Afinal, eu não entendia bulhufas de televisão. Meu contato com o meio se resumia aos VTs que a Modus Propaganda – na qual era sócio – produzia na Provídeo, em Natal. Televisão, mesmo, conhecia o prédio. Mas o sim estava dado. E sim, depois de dito, não costuma aceitar arrependimento.

No dia seguinte, chegou um Telex com as autorizações para retirarmos nossas passagens na VASP.

Na semana anterior, havíamos comprado cama, sofá, mesa, guarda-roupa, fogão e geladeira nas Lojas Rodrigues, cliente da nossa agência. Na hora do almoço, fui falar com Artêmio para devolver tudo. Depois de muita conversa e alguns cafezinhos – acho que a fome ajudou na negociação – ele apareceu no dia seguinte, olhou os móveis e comprou tudo de volta.

Mobília resolvida. Faltavam o Fiat 147 e o telefone fixo. Chaguinha, da serigrafia, arrematou. Pronto. Tudo resolvido. Êpa, quase.

Socorro amarrou o burro e decretou que não iria de avião. Resultado: fomos para Fortaleza pegar um ônibus. Saímos num sábado e chegamos à rodoviária de Rio Branco no sábado seguinte, recebidos por Renato Severiano, diretor de jornalismo da TV Rio Branco.

Na segunda-feira, fomos à TV. Na sala de Naildo, veio a primeira surpresa: o emprego de Socorro, como diagramadora do jornal, estava garantido. O meu, como diretor de arte e cenografia da TV e do jornal, já tinha evaporado.

Durante uma semana, ninguém conseguira se comunicar. A informação que chegara a Naildo, pela Gazeta do Oeste, era de que eu e Maria estávamos de férias. Como havia urgência, ele contratara Garção, da TV Ponta Negra, de Natal. Antes que eu pudesse lamentar a viagem, Naildo resolveu a questão: eu receberia 60% do salário previsto e seria auxiliar de Garção.

O que parecia um castigo acabou sendo um presente. Tive tempo para aprender televisão e, principalmente, para meu novo ofício. Foram pouco mais de 40 dias de aprendizado intensivo, até aos domingos estávamos na TV.”

Até que Garção recebeu um convite para trabalhar em Macapá.

Aí, meus amigos, a coisa mudou de figura.

Mas isso já é outra história.

Brito e Silva – Cartunista

Você também pode gostar...

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *