65 anos

Neste 20 de julho, convidei todos os meus eus para comemorar os nossos 67 anos. Certamente, alguns não virão: morreram pelo caminho. Mas a esmagadora maioria continua comigo, o que me permite fazer uma avaliação bastante positiva da jornada.
Sei que alguém poderá dizer: “Você está se medindo pela própria régua”. Ora bolas, como poderia ser diferente? Só é possível emitir uma opinião fundamentada sobre aquilo que se conhece. E quem me conhece melhor do que eu mesmo? Afinal, convivo comigo há 67 anos, 24 horas por dia. Por isso, considero que tenho autoridade suficiente para me atribuir uma honesta nota 8,5.
Também não vou incomodar agradecendo aos deuses ou às entidades do além. Pelo que dizem, eles parecem apreciar mais os sacrifícios, as oferendas e os suplícios do que os simples agradecimentos. Como só tenho gratidão para oferecer, vou direcioná-la a quem realmente ajudou a forjar quem sou: meus pais, minha mulher, meus filhos e filhas, meus netos e netas, genros e noras, meus irmãos, minhas irmãs, meus amigos e minhas amigas. A todos vocês, muito obrigado.
Agora, sigo olhando para o horizonte. Ouvi dizer que lá adiante existe um museu cheio de grandes novidades. E se aquela velha e ardilosa senhora permitir, pretendo visitá-lo.
Brito e Silva – Cartunista


