“Meu Pet Preferido”

Para o 8º Salão de Humor de Pindamonhangaba-SP, fiz dois desenhos: uma caricatura de Maurício de Sousa e uma charge inspirada no tema “Meu Pet Preferido”. A caricatura, claro, seria do pai da Mônica. Já a charge me levou a pensar nesse novo o culto aos bichinhos gourmetizados.

Esse assunto costuma me render alguns imbróglios, porque tenho uma opinião fora da cartilha. Prefiro os animais em seus habitats naturais e fujo um pouco desse modismo afetivo que transforma cachorro em filho, gato em terapeuta e capivara em influencer digital. Mas cada um faz o que quer da vida: há quem converse com samambaia e há até quem beije cachorro na boca com mais paixão do que beijou o primeiro namorado. Democracia é isso.

O animal da vez agora é a capivara. Virou uma espécie de Buda roedor da internet: tranquila, zen, sociável e fotogênica. Mas o homem sempre teve seus fetiches zoológicos. Os egípcios veneravam os gatos como entidades divinas; os gregos inventaram o Minotauro; e os romanos juravam que Rômulo e Remo, fundadores de Roma, foram amamentados por uma loba. Convenhamos: perto disso, carregar um pinscher no carrinho de bebê nem parece tão exótico.

Os chineses chegaram ao ponto de batizar anos inteiros com nomes de animais. Nos anos 60, Salvador Dalí passeava pelas ruas de Paris com um tamanduá-bandeira na coleira, como quem leva um poodle para tomar sorvete. Michael Jackson tinha o chimpanzé Bubbles, praticamente um assessor de confiança do rei do pop. Pelo visto, a humanidade sempre precisou de um bicho excêntrico para compensar suas próprias esquisitices.

Lembro dos anos 70, na famosa “Embaixada do Principado da Baixa do Chico” – minha casa – onde a turma se reunia na calçada para planejar arapucas e caçadas de passarinho na beira do rio Mossoró. Quando meu irmão De Assis soltou:

– Hoje quero pegar um filhote de urubu pra criar.

Todos caíram na gargalhada. Quem não achou a menor graça foi dona Geralda, nossa mãe, que imediatamente prometeu ao futuro criador de urubus uma sessão psicológica suas Havaianas. E, sinceramente, talvez, ali começou minha ranzinzice com pets.

Brito e Silva – Cartunista

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