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Presidente do Corecon-RN fala de 2017 e perspectivas para 2018

As expectativas do Conselho Regional de Economia-Corecon-RN, divulgadas hoje, é de que a economia nacional, fecha o balanço do PIB positivo em 2017 na faixa dos 0,7%, considerando-se como um ótimo resultado, levando em conta que o país amargou dois anos consecutivos do Produto Interno Produto-PIB negativos, registrados em 2015 e 2016. Neste dois anos passados, foram acumulados os mais baixos índices dos PIBs da história,  com mais de 7,2% negativos e com o agravante de serem consecutivos, que colocou o Brasil numa recessão sem precedentes da economia,  registrando mais de 13 milhões de desempregados.

No início de 2017, com a inflação controlada e as taxas de juros e de desemprego em queda consistente, a enorme instabilidade política do contestado Governo Temer, acumulando graves denuncias de corrupção, ao lado dos escândalos da Lava Jato, que enlameou grandes grupos de empreiteiras e boa parte da classe política nacional, ainda assim, a economia ficou brilhantemente blindada e superou a avalanche de notícias capazes, em outros momentos, a destruir qualquer economia.

Assim, considerando todo este cenário conturbado e ainda as tentativas frustradas da aprovação da reforma da Previdência pelo Governo Temer, deverá ser aprovada com um placar bem apertado em 2018, embora que com mudanças bem mais tímidas dos que as desejadas pela equipe do Ministro Meireles, chagou-se ao final de 2017 melhor que em 2016 e com perspectivas igualmente mais otimista para 2018.

A notícias ruim notadamente para os trabalhadores assalariados que fecha o noticiário econômico em 2017, com reflexos para o início de 2018, é que emplacados  o mais baixo índice de aumento de nosso salário mínimo ao longo dos últimos 24 anos, registrados ainda na  época do plano real,  com um índice de reajuste do salário mínimo para 2018, de 1,81% abaixo da própria inflação. O resultado do baixo mínimo, é reflexo do PIB negativo de 2016, cabendo aos trabalhadores assalariado no Brasil, a passarem a receber apenas R$ 17,00 reais de aumento nominal, já que o mínimo passou  dos atuais R$ 937,00 para  R$ 954,00, a partir da próxima segunda feira(01).  De positivo para a classe trabalhadora em contra ponto com o baixo reajuste do salário mínimo, foi a queda acentuada e consistente da nossa taxa de inflação que deverá emplacar este ano abaixo dos 3% a.a, mas que em 2018, já com a volta do crescimento econômico ainda que gradual, dever subir um pouquinho, algo em torno de3,5 a 4%, mais abaixo do centro da meta de 4,5%. Esta pequena alta da inflação, na avaliação do Corecon-RN, não deverá assustar ninguém, será provocado pela natural recomposição de alguns custos Administrados pelo Governo e pela  reposição de preços dos produtos  no mercado, com a economia em ascensão em 2018.

Para o Presidente do Corecon-RN, economista Ricardo Valério Menezes, os primeiros sinais de recuperação econômica gradual, teve seu início com o impulso dado pelo crescimento do agronegócio, que alavancou logo em seguida a reação de outros segmentos da economia. Daí por diante, o Banco Central começou com redução da taxa Selic de forma mais consistente, o que levou para o menor patamar da história, de 7% a.a, agora, no final deste ano, graças a inflação debelada e a taxa de câmbio sob controle, que foram fatores que contribuíram para um PIB positivo em 2017. Já para 2018, o PIB será melhor ainda, devendo ficar na faixa de 1,9 a 2,2 % e em 2019, com um governo legitimado pelo povo, poderá surpreender a todos com algo variando entre 2,3 a 2,6%, dependendo do cenário mundial.

Caso o cenário mundial venha a ter uma reação superior à média atual situado entre 3 a 3,5%, o país pode vir a obter um PIB na faixa de um pouco superior a 3%, o que seria muito animador para recuperar parcialmente as perdas de 2015 e 2016, que acumulados mais de 7,2% negativos. “Isto ocorrendo, seria extraordinário comparativamente a esses dois anos históricos infelizmente de perdas, e iriam contribuir, para a recuperação dos nossos empregos, que em 2018, continuará na escalada de queda ainda gradual, porém, mais acelerada do que em 2017, devendo recuperarmos, pelas nossas estimativas, algo em torno de um milhão de empregos”, disse o Presidente do Corecon/RN.

Para o Corecon-RN, a taxa Selic em 2018,  que serve com referencial dos juros da nossa economia, continua com víeis de baixa, podendo atingir números antes não sonhado nem pelos mais otimistas dos economistas, caindo  para níveis entre 5 a 6% a.a, até o terceiro trimestre de 2018, e se mantendo estáveis até que o novo governo eleito seja empossado. Para o presidente Ricardo Valério, a diferença entre a manutenção do declínio da taxa Selic em relação a 2017, e o que ele espera e cobra do sistema financeiro nacional, que as taxas efetivas passem de fato a caírem de forma mais acentuadas para o mercado dos consumidores e empresarial, já que a taxa Selic teve uma queda expressiva, caindo dos 14.25% para os 7% no final de 2017, mas o mercado financeiro muito ganancioso e precavido pela elevada inadimplência, que já começa cair, inclusive, passe assim a abrir espaços para os Bancos baixarem consideravelmente a taxa de juros ao crédito direto ao consumidor e ao setor produtivo nacional. Somente com Taxas de juros mais atrativas e não as maiores do mundo como o mercado financeiro insiste em praticar atualmente, só assim, será retomado, com mais agilidade, o crescimento nacional e a recuperação mais rápida da taxa de desemprego.

Os economistas alertam, que os juros atuais, somente servem para estimular a prática de rentismo no Brasil, o aumento da dívida pública e da população em geral. Cobra o presidente do Corecon-RN, que as taxas de juros baixem em proporção similar e aceitáveis a exemplo do que o Banco Central  aplicou na redução da taxa Selic, ao longo de 2017 e a continua em 2018, conforme espera todo o mercado.

O câmbio para 2018, deve continuar estável, mas seguindo com pequenas flutuações, de acordo o humor de Donald Trump e do líder coreano, entre outras variáveis internacionais, também de olho na temperatura e discursos poucos conservadores de algum candidato à Presidência da República.

Ressalva o Presidente do Corecon-RN, em que pese a algumas medidas acertadas da equipe do Ministro Meireles em 2017. “Não podemos creditar a um Governo tão impopular e com enumeras denúncias de corrupção, todas melhorias da economia nacional, as boas tentativas de conter de forma correta o déficit público. O Governo Temer, aproveitou-se e está surfando nos históricos ciclos de mudanças da nossa economia, marcada em nossa literatura econômica, de baixa e altas, inauguradas desde o Brasil Imperial até o Brasil contemporâneo”, afirmou Ricardo Valério.

Seguindo o curso de fim do ciclo natural recessivo, iniciado, agora no primeiro trimestre de 2017, graças ao ótimo crescimento do agronegócio e que culminou com a retomada do crescimento econômico também nos demais segmentos da economia, embora que ainda gradual em relação ao crescimento do PIB e lenta redução da taxa de desemprego. “Mas sem dúvida nenhuma, é um alento que teremos dias melhores em 2018”, diz o presidente.

Mas Corecon-RN faz um alerta, para que seja consolidada a retomada do crescimento econômico nacional, é preciso, que o povo Brasileiro, tenha apreendido a lição, que vote com muita mais  responsabilidade e prudência, fazendo uma avaliação criteriosa dos seus candidatos, e promovendo uma grande renovação do Congresso Nacional, notadamente escolhendo um Presidente da República, que seja um verdadeiro Estadistas, coisa que infelizmente, por enquanto ainda entre os postumamente, nenhum grande nome surgiu no atual cenário. “Mas, tenho convicção, que agora no primeiro trimestre de 2018, surja um nome novo, de um verdadeiro estadistas, que possa ter a legitimidade de promover um choque de gestão que o Brasil requer. Precisamos, notadamente de numa reforma política e tributária mais justa e de forma a valorizar uma melhor distribuição da renda, a partir de melhoria acentuada do compartilhamento das receitas tributárias nacional, pois necessitamos urgentemente de termos menos Brasília e mais Brasil”, conclui o presidente do Corecon-RN, Ricardo Valério Menezes.

 

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Inveja do Ceará

Rio Grande do Norte, pobre RN, enquanto o Ceará, o governo do PT, claro, com ajuda de todos os outros anteriores, torna projetos com assinatura de Estado e não de governo, nós rezamos a Tupã.

Aqui ficamos na pequinês, na parte mais baixa, arando a grama que as oligarquias pisam. Por pura indolência, conivência, conveniência ou medo de jogar “lama” nos brasões das famílias que há mais de meio século dominam a política potiguar e inegavelmente, são responsáveis diretas pelo caos instalado, pelo abandono em que está relegado os potiguares.

Quando o Ceará recebe viaturas para Polícia Militar, nós, recebemos 2000 soldados da Força Nacional, que nada mais é que um paliativo, pois quando forem embora, se restabelece o status quo. Sem, citar que nossos policiais vão às ruas em viaturas com pneus carecas, coletes vencidos, balas “chocas” e agora, salários atrasados, e muitas vezes ficam a pé por falta de gasolina, é uma vergonha? É uma vergonha, sim. A culpa é do incompetente Robinson? Claro, que é. Mas, venha cá e fica aí mesmo. E os outros: Rosalba Ciarlini; Wilma de Faria; Garibaldi Alves Filho; José Agripino; Geraldo Melo também não o são? Certamente que sim.

Entretanto, não tomamos atitude nenhum, a não ser elegê-los sucessivamente. Navegamos em terreno de pantanoso lamaçal e, protozoariamente nos acovardamos, não assumimos nossos erros, não dividimos culpas, a repassamos aos adversários com todas as responsabilidades pretéritas, pois é mais fácil e cômodo.

Se assim continuarmos pensando e agindo, não há dúvidas que permaneceremos no atraso, mendigando favores do Governo Central, seja ele de qual matize for, pois sempre haverá um pequeno político norte-rio-grandense a lambê-lo os pés, com nossa preciosa letargia.

Não quero fazer loas ao governo petista cearense(que merece, ah, isso sim: merece), mas me deu uma inveja danada, quando vi aquele vídeo com o Camilo Santana, todo orgulhoso entregando aquelas viaturas à Polícia Militar do seu estado. Digo sem medo de cometer algum sacrilégio, que o Ceará sempre esteve a anos luz da tribo potigura. E nós, para justificarmos a violência em Mossoró, discutimos que se mata mais hoje, que no período da ditadura militar, isto é, ainda estamos com um pezinho – para ser generoso -, no período paleolítico.

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Corecon-RN propõe repactuação financeira entre os poderes para Estado sair da crise.

 Ricardo Valério Menezes, Presidente do Corecon-RN

Na ótica do Conselho Regional de Economia do Rio Grande Norte, a necessidade de uma “repactuação orçamentária” entre os poderes constituídos: Executivo, Legislativo e Judiciário do Rio Grande do Norte é mais que uma ação política/administrativa urgente, mas, uma operação que pode garantir a “governabilidade do estado”, oferecendo uma tomada de fôlego capaz de abrir novos horizontes e perspectivas positivas.

Bastante elucidativa e didática, a nota assinada nesta sexta-feira, 22, pelo Presidente da entidade, Ricardo Valério Menezes, traz à luz algumas distorções, entre elas se destaca o fluxo de caixa entre os poderes que potencializa o desequilíbrio orçamentário e a crise financeira provocando no executivo caixa negativo, ao passo que em outros poderes existem sobras de caixas,  em demonstração clara de uma incontestável inversão de necessidades.

Veja a nota na íntegra:

OFICIAL

O Conselho Regional de Economia do Rio Grande do Norte – CORECON/RN, diante do caótico cenário fiscal do Estado, que culminou com a divulgação pelo Governo do RN sobre a folha de pagamento dos servidores, aos quais não receberão – como é de direito – o décimo terceiro salário, bem como os proventos do mês de dezembro, além dos atrasos em relação aos salários de novembro/2017, se solidariza com os funcionários públicos e seus familiares, ciente do enorme transtorno que a atual situação traz, também, diante do período natalino e das festas de final de ano.

Ressaltamos que, este cenário de ‘crônica da morta anunciada’ das finanças do Estado do Rio Grande do Norte, a bem da verdade, foram originados, também, em governos anteriores, esses, postergando medidas urgentes para ajustar as contas e a realidade fiscal do Estado , se agravando no Governo atual.

Há tempos, os economistas do RN, entre outras entidades, como a Fecomércio, vêm alertando para a desproporcionalidade dos repasses das Receitas Correntes Líquidas – RCL, ao Poder Legislativo e, notadamente, ao Judiciário, acima da média nacional.

Não se concebe que, em um Estado pobre como o RN, esses Poderes tenham sucessivas sobras orçamentárias, sendo suficientes, inclusive, para cobrir a folha do décimo terceiro dos servidores públicos. E que, essas sobras de origem do caixa único do Governo do Estado, não sejam devidamente devolvidas aos reais e legítimos detentores, o Governo, emanado constitucionalmente pelo povo, ao qual o elegeu.

Assim, conclamamos mais uma vez, aos Três Poderes constituídos, a promoverem uma repactuação orçamentária, em nome da Governabilidade do Estado.

É urgente a prática dos princípios da solidariedade, do bom senso e da moralidade pública, antes que os carros blindados não sejam suficientes para resistir ao clamor popular, que tem levado ao então pacato RN, a tamanha insegurança, precarização da educação e da saúde pública.

 

Ricardo Valério Menezes
Presidente Corecon-RN

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Não sei se vou, não sei se fico

Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, será o novo Presidente do PSDB e prontamente já colocou seu nome à Presidência da República. Uma declaração chamou a atenção de muitos observadores políticos. No jantar, ontem em SP, se ventilou que o partido irá ter um posicionamento mais a esquerda. Muitos daqueles que foram às ruas protestando e até agredindo partidos de esquerda, acreditavam que o PSDB seria seu representante legítimo de direita, certamente irão se sentir frustrados, traídos.

Entretanto, se enganaram ou se enganam, porque querem. É sabido que o partido é assim mesmo, nunca tem uma posição clara definida. Basta ver no caso do Governo temer: uma hora apoia o (des)governo outra hora não apoia, uma hora sai do governo outra hora não sai. O PSDB prefere a boa preguiça do ninho, isto é, um bom muro, em “não sei se vou, não sei se fico interminável. Acena para um lado e vai para outro, ou não sai do lugar. Incitou o povo aos protestos, dançar aquelas musicasinhas ridículas, foi contundente ao impeachment, depois disse que foi um erro.

Há pouco teve seu Presidente, senador Aécio Neves, envolvido com propinas, expondo que o ninho tucano também precisa de uma boa faxina, feita pela Polícia Federal. Essa guinada ou pretensa guinada à esquerda tem como objetivo atrair uma leva de simpatizantes desgostosos com o PT, que certamente, também não veem com bons olhos a tucanada paulista.

2018 será bastante interessante observar os discursos de campanhas. Cada um tentando pôr uma pá de cal em seu passado mais recente. Será divertido.

Preconceito

A grande notícia que permeia os grandes jornais de todo o mundo, é o casamento, na primavera (hemisfério norte) de 2018, do galego príncipe Harry, sexto na linha de sucessão ao trono de Elizabeth II, com a plebeia e a atriz americana Meghan Markle, de 36 anos.

Meghan é divorciada e tem mãe negra, alguns jornais do “civilizado” Reino Unido, dizem que ela tem DNA exótico. Uma maneira “educada” do primeiro mundo expressar o seu danoso preconceito.

Direto do Canadá, Day McCarthy, nome artístico de Dayane Alcântara Couto, proferiu comentários racistas contra a pequena Tati, de 4 anos, filha dos atores Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank, que acionou-a na justiça.

O preconceito é uma doença universal.

Agripino

O senador José Agripino Maia, Presidente nacional do DEM, está na mira da Polícia Federal. A ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal realize uma série de diligências para investigar se o senador Agripino que teria colocado, de forma irregular, um servidor em seu gabinete. As ações atende solicitação da Procuradoria-Geral da República, que aponta suposta lavagem de dinheiro e peculato. O senador potiguar, como todos fazem, se diz inocente.

Livro

Jó Soares, lança livro de autobiografia.

Frase

“Policial que não mata não é policial” Bolsonaro.

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Roubo

“Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu…”. Esta minúscula parte de Roda Viva, música do Chico Buarque parece que cair como uma luva em seu dia.

As manchetes nas Tvs, jornais e blogs para um expectador mais atento, dão a devida dimensão do nível de promiscuidade permissiva em que o Brasil está navegando, e se, o sujeito não for excessivamente otimista, mas apreciador de uma boa dose de realidade e levantar os olhos à linha do horizonte, certamente não verá uma aurora promissora.

Neste país muitos roubam: o guarda de trânsito, o cidadão comum, o prefeito, o vereador, o juiz, o governador, o deputado, o senador, o presidente da República (segundo Joesley Batista, que o denominou de Ladrão-geral da República) empresários também, quando adulteram preços de produtos para depois fazer promoção ou colocam vários tipos de feijão em um pacote e vende como se fosse um determinado tipo. Por aqui abaixo do equador, o roubar é comum à muitas pessoas de “bem”.

Calma aí! Este cenário é real, sim. Entretanto, apesar de tudo, estes malfeitores estarem entranhados em diversos setores da sociedade tupiniquim, eles são minoria, mas, aí vem a grande pergunta: como tão poucos podem sobrepor a tantos?

Sim, mandam e desmandam em nós todos, que somos muitos. Veja o caso das operadoras de telefonia/tv e internet. Nos roubam descaradamente, desdenham de nossa incapacidade de reação e falta de quem nos socorrer. Ah! Não me falem da Anatel, ela é uma piada.

Tenho contrato com o traste da NET, nunca vi coisa mais ruim, a internet cai a todo momento, você liga e ela diz para você monitora seu sinal. Ora porra, eu compro 60MB, quero receber 60MB, agora tenho que monitorar? No momento estou recebendo menos de 30MB. Em meio o lamaçal navegado, para mim, um roubo não é apenas um roubo a mais ou a menos: Grito, esperneio, xingo…NET ladrona, ladrona, ladrona! Quero meus 60MB.

Precisamos sair desta letargia, desta inércia, levantemos todos!!!

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Efeito manada

Foto: Ana Carolina/FolhaPress

Costumo não replicar com frequência o que outros publicam em suas páginas, desde que – se a verdade não me engana e a memória não minta-, o amigo, Rinaldo Barros, questionou sobre uma postagem, fui pesquisar e não tinha nada a ver, era na verdade, uma montagem grosseira, desculpei-me.

Hoje, mesmo que concorde ou discorde, procuro a fonte, não encontrando-a, passo. As vezes até comento, pois, sou afeito ao bom debate.

Há dias vem sendo veiculado uma imagem em que aparecem duas estátuas, uma com corpo feminino e genitália masculina e outra com corpo masculino com a genitália feminina e uma criança segurando a mão de uma delas. Os comentários não merecem opinião, todos já viram.

Perguntei a todos que publicaram em suas páginas, onde estaria exposta tal obra de “arte”? Um disse que não sabia, outro disse ter visto numa página e replicou, um outro falou que estaria num museu em São Paulo, certo. O problema é que a capital paulista tem para mais de 100 museus, no final, quem está replicando não sabe a origem da “obra”, apenas publica, criando um feito manada, e se for montagem? Estaríamos todos contribuindo para disseminar uma mentira ou no mínimo marcar posição a uma ideia.

Mas, se verdade for? Quem diabos tem a ver com isso, a não ser os pais da criança? Nem o Estatuto do menor e adolescente proíbe, apenas oferece faixas etárias de classificação: Totalmente diferente da censura, a classificação é um processo democrático, dividido entre o Estado, as empresas de entretenimento e a sociedade, com o objetivo de informar às famílias brasileiras a faixa etária para qual não se recomendam as diversões públicas. Assim, a família tem o direito à escolha garantido às crianças e adolescentes o seu desenvolvimento psicossocial preservado.

Há exatos 2 anos, a Prefeitura do Rio de Janeiro – sem falar das praias da Paraíba e tantas outras que existem Brasil a fora -, sancionou lei oficializando praia de Abricó, na zona oeste, área de naturismo, isto é, nudismo. Nesta bela praia frequentada pela alta classe carioca as crianças andam juntos com adulto pelados, e daí? E daí nada. Não se ver manchetes escandalizadas em jornais, revistas, blogs. não se ver nem uma marolinha moralistas, por quê? Será que é porque são ricos? E rico pode tudo? As “regras” moralista não se aplicam aos ricos?

A questão passa longe disto, o buraco é mais embaixo. Esta onda moralista tem outra função, pois, em sua crista surfa intenções políticas partidárias e religiosas, onde esqueletos se vestem de gente de “bem”, mas, a um olhar mais atento é possível perceber as armas ocultas em suas mãos.

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Nota Corecon-RN

 

Prudência e equilíbrio nas tomadas
de decisões na hora do consumo

O período das festas de final de ano e o início da alta estação, com o poder dos atrativos turísticos do RN, são estímulos à economia regional e abre perspectiva em mais de 4,5 mil vagas de empregos temporários, nas quais 30% desses possam se tornar permanentes, visando a possibilidade de recuperação econômica.

O décimo vai alavancar as vendas do final de ano, principalmente se o governo e a prefeitura honrarem com a data de pagamento até o dia 20 de dezembro e puserem as demais folhas em dia.

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos – DIEESE sinaliza em pesquisa que o final de 2017 aponta crescimento de 4,7 % em relação ao do ano passado, cujo PIB Nacional (Produto Interno Bruto) representa 3,2 %. Outro fator positivo para estímulo às compras é a queda do dólar e a baixa de preços, aos quais refletem nos valores de alguns produtos.

Outra pesquisa que se destaca como relevante e sinaliza boas vendas ‘natalinas’ para 2017, é a do SPC Brasil e a da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), as quais apontam que 110,8 milhões de consumidores brasileiros vão presentear, com até quatro presentes, em gasto médio de R$ 103,83 cada um. Dado, esse, satisfatório, diante o cenário brasileiro.

Ainda assim, o CORECON/RN recomenda prudência e equilíbrio nas tomadas de decisões dos consumidores, principalmente aos mais endividados, para que esses canalizem o 13º salário para quitar ou reduzir as possíveis dívidas, entre elas, as de cartão de crédito e cheque especial, cujos valores em juros são os maiores vilões dos orçamentos familiares.

Já aos que estão em dia, necessitam analisar e ir às compras com prudência e consciência, dentro da capacidade de pagamento, não comprometendo as finanças no futuro, além de poupar, pelo menos 20% do décimo, visando eventualidades.

E, pensando nisso, o Conselho elaborou algumas dicas econômicas.

Dicas econômicas para o final de ano:

1 – Seja racional e não emocional ao efetuar compras;

2 – É importante estipular o valor limite de cada presente e dar preferência em compras à vista, usufruindo dos descontos de pagar a dinheiro ou no débito;

3 – Opte por utilizar o 13º salário para quitar dívidas ou fazer compras, ao invés de extrapolar no uso do cartão de crédito;

4 – Antecipe algumas compras de artigos de alimentação e bebidas destinadas às ceias de Natal e Ano Novo, mas se atente à validade e pericidade dos produtos;

5 – Já em relação a vestuário de uso próprio, o ideal é aguardar as promoções do início do ano, cujos descontos podem ser superiores aos 50%;

6 – Pesquise e pechinche;

7 – Compare os preços pela internet, economizando tempo e dinheiro no deslocamento e nos estacionamentos;

8 – Atente-se aos valores do frete, caso opte comprar pela internet, e compare com o custo benefício em adquirir em lojas físicas;

9 – Ainda sobre compras online, certifique se o site é de confiança e atenção ao prazo de entrega, principalmente se for para presentear. Devido a época, pode existir atrasos decorrentes das transportadoras;

10 – Por fim, valorize também o mercado local. Assim, você contribui com a arrecadação dos impostos e gera empregos no Estado.

Ricardo Valério – Presidente do Corecon/RN

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Luislinda

Nesta semana passada, o assunto que pôs menino novo para dormir, do Oiapoque ao Chuí, foi a solicitação da ministra dos Direitos Humanos, do Governo temer, Luislinda Valois, que entrou com um pedido de 207 páginas ao governo para juntar ao seu salário de ministra os proventos da aposentadoria, de R$ 30.471,10. Somando os dois, ela receberia ao fim do mês R$ 61,4 mil.

Muita gente fico horrorizada soltando impropérios nas redes sociais, mas, de fato, o quê mais afrontou milhões de brasileiros, foi a ministra fazer uma analogia de sua situação com trabalho escravo, ora, com o salário que tem e todas as mordomias inerentes ao cargo, puro deboche, principalmente, para uma grande parcela da mão-de-obra trabalhadora do país, que recebe no final do mês R$ 937,00.

Porém, não condeno Luislinda, claro, achei estranho uma negra, ministra dos Direito Humanos, com tal comportamento, mas, neste governo ninguém é o que parece ser, todos, sem exceção. Por outro lado, é preciso entender que não poderíamos exigir ou esperar uma posição descente, equilibrada, ética, honesta de qualquer que seja o ministro. Ora, o chefe do governo, é chamado de Ladrão-geral da República por um de seus pares de traquinagem bandida. Portanto, o que vier deste governo despudorado e podre não devia nos deixar surpresos.

PT/PMDB

O PMDB, é, de fato, aquela bela sereia que todo marinheiro sonha encontrar em suas noites de solidão em mar de calmaria, mas, tal qual a sereia que faz os navios de seus encantados adormecer no fundo do reino de Poseidon, quem se encanta pelo PMDB, certamente, não terá outro fim não menos doloroso.

A companheira, senadora Fátima Bezerra (PT), correu logo para desmentir boato que o PT estaria novamente se “amancebando” com PMDB, para o embate de 2018. Segundo o petista de carteirinha “não se cogita e nem passa pela cabeça de ninguém esta possibilidade, se houver qualquer insinuação a respeito o PT, aqui no estado abrirá uma fissura dentro do partido que seria capaz de destroça-lo”. Que fala assim não é gago.

Prêmio

O restaurante KALAZ, eleito em 2017, “Melhor restaurante a quilo do Estado do RN”, em concurso promovido anualmente pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes- ABRASEL/ Banco ITAÚ, Sodexo.

Quem está com sorriso de orelha a orelha é o economista, Ricardo Valério, com orgulho do filho, Ricardinho, dono do KALAZ. Parabéns, aos dois.

O KALZA fica bem pertinho de todos, no início do Conjunto Candelária seguindo pela BR 101, entrando na esquina do Posto Planalto. Deguste o porquê o KALAZ, se tornou o grande Campeão do Estado.

Ninho

O DNA do PSDB é o muro e dele fazer parte até seu voo de meio metro. Assim sendo, não há nada de novo em Fernando Henrique Cardozo orientar a tucanada, pousada no Planalto, uma revoada em dezembro. Somente o temer piou.

Entre bicadas o PSDB entra 2018 com ninho em reconstrução e terá muito pouco tempo para reforma e achar um novo tucano que cante de galo e, mais: que seja ouvido pelo povo.

Frase

“Esses encontros são importantes para que possamos mostrar o trabalho do nosso mandato e ouvir a população. Outras reuniões serão realizadas pelo PMDB”. Deputado Walter Alves.

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O despudorado -michel temer

Vivemos tempos estranhos ou não? Será? O presidente da República é chamado, em uma nota à imprensa, de ladrão-geral da República, por Joesley Batista, um corrupto confesso, que diz ter comprado e patrocinado mais de 2000 mil políticos por todo o país, inclusive afirmou haver repassado R$ 10 milhões para políticos do Rio Grande do Norte: R$ 5milhões foram para o nosso governador e os outros R$ 5 milhões a seu filho, o deputado Fábio Faria.

Dizer que o francesinho de quepe ridículo estava coberto de razão, é chover no molhado. O despudoramento dos políticos brasileiros é um acinte às regras de decência de qualquer país civilizado. Aqui, a falta de decoro se estabeleceu de tal forma e com tanta contundência no seio deles, e talvez não só deles, mas de toda sociedade, que todos nós, aparentemente, achamos normal o chefe do Estado brasileiro ser aclamado de ladrão ou ministros de estado, ex-presidentes, Ministro do Supremo desdenharem a Lei. O Supremo igualmente Babel, em que cada um interpreta a Constituição ao seu bel-prazer e conveniência, o que disse há pouco, logo mais não vale absolutamente nada.

O Presidente da República, senhor michel temer, manipular o parlamento comprando sua “inocência” com dinheiro do povo em forma de emendas parlamentares, por mais que queiramos não concordar com De Gaulle, esse fato é um atestado mais que razoável para darmos-lhe razão. Deputado listando quem votou favor ou não da denúncia contra temer, para depois retaliar, outro pulha debochado dançando uma vitória comprada, uma vitória da vergonha nacional, uma vitória esdrúxula, um atentado ao povo.

Neste tabuleiro de troça, não existe uma respeitabilidade razoável mínima entre às autoridades, pelo contrário estamos sob o manto do despudoramento, do descaramento total.

JBS

Breve um lançamento no mundo literário irá atrair para si os holofotes. A jornalista Raquel Landim está redigindo a história da JBS, desde sua origem, pondo as digitais na prisão do Joesley Batista e a deleção explosiva que levou às duas denúncias contra o michel temer. Toda escrita será exposta em um livro, para o próximo julho.

Tocar-te

Em meio a tanta aridez, vez que brota algo rejuvenescedor e acalentador. Gilberto Gil e Nando Reis em parceria inédita, lançaram nesta sexta-feira(27), em todas as plataformas digitais a música “Tocar-te”. Trinca de Ases, o qual esta canção faz parte, é um projeto em que a Gal Costa se junta aos dois em uma promissora e fértil parceria.

Documentos sumidos

Piada seria se não fosse no Brasil. Documentos desapareceram do sistema 7ª Vara Federal Criminal do Rio, comandada pelo juiz Marcelo Bretas, onde tramitam os processos do braço fluminense da Lava-Jato: o sumiço de duas pastas do sistema com arquivos sobre as operações do escândalo no Rio. O caso está sendo investigado pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). Os documentos fazem parte de ações antigas e em andamento.

Frase

“Oposição vai morrer doida, pois Carlos Eduardo está trabalhando”, diz vereadora Nina Souza (PEN)

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Cartago é aqui

“Cartago deve ser destruída”, frase proferida pelo senador romano Catão (234-149 a.C.), finalizando seus discursos no plenário do Senatus. Porque mesmo arrasada, após batalhas contra Roma, em pouco tempo a cidade/estado restabelecia sua força bélica. Assim procedem e reverberam muitos, que sobre esse torrão tupi-guarani se ajoelham ao Belzebu.

Aqui, abaixo do equador, onde tudo é possível, – qualquer dia desses um membro do PCC – Primeiro Comando do Centrão, em um surto de “inteligência”, para livrar um igual, tentará uma PEC para revogar a Lei da Gravidade, nestas terras brasilis-, e, parece existir uma conspiração entre as forças conservadores para destruir o Brasil e não deixar pedra sobre pedra para que não haja a menor possibilidade de reconstrução.

Vejam o mau exemplo da Presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministra Cármen Lúcia, em portaria, antecipa o Dia do Servidor Público Federal, para sexta-feira, 27, pelo simples fato de um dia ter caído em um sábado. Uma vergonha!

Palestras

Logo mais às 14h, no auditório da Escola de Governo do Estado, dentro das comemorações do Dia do Servidor Público, os economistas, Presidente do Corecon/RN, Ricardo Valério e o conselheiro Hélder Cavalcanti, ministrarão Palestras de Educação Financeira, e na sexta-feira, 27, será a vez dos Conselheiros e funcionários do Tribunal de Contas do Estado-TCE.

Segunda

Mais uma vez um Brasil dá exemplo ao mundo de como permanecer em terceiro mundo, onde as leis não funcionam para os “poderosos” e, principalmente para classe política, que têm as duas casas do Congresso Nacional padecendo com mais de um terço dos seus parlamentares envolvidos direta ou indiretamente em falcatruas.

Mais de 12 horas de sessão, a Câmara dos Deputados rejeitou nesta quarta-feira (25), por 251 votos a 233 a segunda denúncia contra o presidente temer. Pela primeira vez na história do país um presidente, em pleno exercício do cargo, foi denunciado por crime comum e, pela segunda vez o parlamento impede o as investigações.

Para obter êxito, o Presidente manteve aberto o balcão de negócios escusos, tendo ele à frente das negociatas.

Rocha

Segundo o jornalista Joaquim Pinheiro, colunista do Portal Agora RN / Agora Jornal, existem vários indícios que o empresário Flávio Rocha, dono do Grupo Riachuelo, ex-deputado federal e fomentador do imposto único, esteja novamente de olho na política partidária e tomando gosto pela ideia de se viabilizar candidato à Presidência da República.

Volta

Sem novidades. A Câmara Municipal de Natal, devolveu o mandato do vereador Ranieri Barbosa (PDT), que tinha sido suspenso por uma decisão judicial, em que fora acusado de formação de quadrilha. O edil retorna às funções da vereança e também irá ocupar a cadeira de Presidente da Casa, à qual foi eleito, antes da suspensão do mandato.

Frase

“Daqui a pouco vão transferir o Domingo de Páscoa para a Segunda de Páscoa”, ironizou um ministro Marco Aurélio Mello.

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Não existe deficit na previdência

O senador Hélio José (PROS-DF) apresentou nesta segunda-feira, 23, o relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Previdência, que investigou as contas do seguro social no País. Trouxe à conclusão: “é possível afirmar, com convicção, que inexiste déficit da Previdência Social ou da Seguridade Social” disse o senador.

Hélio José dedicou algumas páginas de seu relatório para lembrar da dívida ativa de empresas brasileiras de grande porte, que deixaram de contribuir com a Previdência Social, mas continuam sendo beneficiadas com políticas governamentais. No texto, ele cita como exemplo o débito da JBS, que tem, segundo a CPI, uma dívida de R$ 2,4 bilhões com o sistema de Seguridade Social. “Está faltando cobrar dos devedores e não querer prejudicar trabalhadores e aposentados, mais uma vez”, disse o senador.

Outro argumento utilizado no texto tem como base a criação da Desvinculação de Receitas da União (DRU), em 1994, ainda na gestão FHC. “Uma parcela significativa dos recursos originalmente destinados ao financiamento da Previdência foi redirecionada. Segundo cálculos da Associação Nacional de Auditores Fiscais da Receita Federal (Anfip), somente entre 2005 e 2014, um montante da ordem de R$ 500 bilhões foi retirado da Previdência via DRU”, criticou o senador em seu texto.

O relatório final será colocado em votação nas próximas semanas, quando os senadores que compõem a CPI vão analisar a proposta e poder propor emendas à versão do senador Hélio José.

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“NOSSA ELITE É INTERESSANTE: TODOS LIBERAIS E DEPENDENTES DO ESTADO”

SAIBA MAIS – Agência de Reportagem: Rafael Duarte  – Fotos: Vlademir Alexandre  – Ilustração: Gabriel Novaes – 22 de outubro de 2017 DEMOCRACIA

Ilustração: Gabriel Novaes

A cientista social e economista pernambucana Tânia Bacelar priorizaria investimentos em infraestrutura e Educação para reduzir os efeitos da crise no Nordeste. Para ela, o impacto negativo só não foi maior em razão da pujança econômica do governo Lula na região, o que ainda segurou alguns indicadores.

Referência entre os especialistas na área social e econômica, Tânia é conhecida pela defesa de políticas públicas em favor da parte debaixo da pirâmide social brasileira. A convite do ex-presidente Lula, participou do conselho político criado nos governos do PT com técnicos de vários segmentos para contribuir com sugestões e criticas.

Hoje professora aposentada da UFPE, a socióloga e economista esteve em Natal para participar do Diálogos, evento promovido pela ADURN Sindicato, na UFRN. Nesta entrevista à agência Saiba Mais, Tânia Bacelar falou sobre os efeitos da crise na região Nordeste, alternativas e os desdobramentos das ações do governo Temer.

Agência Saiba Mais – A senhora participou, a convite do Governo do RN, da primeira tentativa de criar uma região metropolitana em Natal, ainda no final dos anos 1990. Como foi a experiência?

Tânia Bacelar – Foi um trabalho muito frustrante.

Por quê?

Porque o conceito (de região metropolitana) não batia com o objeto do trabalho. Então foi muito difícil porque os municípios não compareciam às reuniões, não havia consciência de que haviam problemas comuns. As questões que são de tratamento metropolitano não despertavam interesse aqui. Também jogaram municípios que não tinham nada a ver com a metrópole. Esses critérios, que são políticos, têm a ver com a representação dos municípios na Assembleia Legislativa e, sabe-se lá porque, acham que é status integrar região metropolitana. Mas esse problema acontece em outros Estados também. Ceará, Paraíba… só Pernambuco nunca chancelou isso. Para mim foi frustrante (a experiência em Natal), mas nunca mais acompanhei.

Por falar em região, por que a crise econômica afetou mais o Nordeste?

Eu vou defender um pouco o contrário. Os dados mostram que em alguns aspectos afetou mais, mas no geral não afetou tanto. O Brasil vinha de um momento bom, o Nordeste vinha de um momento muito bom e tivemos uma espécie de capacidade de resistência a um primeiro momento da crise pelo acúmulo que você tinha feito na fase imediatamente anterior. Mas bateu muito forte no emprego, no mercado de trabalho, porque você vinha de um ciclo expansivo excelente do emprego. Na renda bateu mais forte e no comércio de serviço bateu ainda mais.

E que áreas não foram tão afetadas?

Na indústria bateu menos e na agropecuária não bateu. Não bateu nem no Brasil nem no Nordeste. A agropecuária está surfando na crise. E o Nordeste tem os investimentos em energia renovável que coincidiram na crise com a consolidação da fase em investimento em eólica. Para alguns estados isso foi muito importante. A eólica já começa a pesar na economia porque o Nordeste trouxe para cá a produção dos equipamentos. A Bahia e Pernambuco produzem aquelas pás da energia eólica que encontramos nas estradas. Então teve a energia e por trás teve a indústria.

Agora no desemprego pesou muito. Salvador e Recife voltaram a liderar as taxas de desempregos nas metrópoles do país. Sempre foi assim e voltou com muita força. Tanto que o desemprego médio do Brasil está em 13% e o do Nordeste está em 18%, o que é muito alto, ou seja, é quase um desempregado a cada cinco pessoas. O Rio Grande do Norte, terceiro em desemprego, levou um cacete muito grande. Merece um estudo a situação do RN.

Cientista social e economista, Tânia Bacelar defende que avanços do governo Lula reduziram efeitos da crise no Nordeste

Qual sua expectativa daqui para frente ?

A área de comércio e serviços, como emprega muito, afetou o Nordeste demais, e na construção civil também foi muito forte. Porque você vinha de uma fase de investimentos importantes. Dos grandes investimentos, das obras de infraestrutura, e tudo isso tinha criado muito emprego na construção civil. Quando acabou, o impacto na construção civil foi muito forte. Olhando para frente, acho que o Nordeste tem que abrir o olho. Aqui a gente depende mais de política pública, a crise fiscal é forte. E a tendência é um impacto aqui maior do que nas áreas mais ricas, onde o setor privado tem um peso mais forte.

A tendência é o aumento da desigualdade na região?

Mantidas essas tendências que estão aí, a médio prazo vai ser pior para o Nordeste. A macrotendência é valorizar o investimento em infraestrutura porque ajuda na retomada. O Brasil precisa muito e é uma frente de expansão econômica importante, é uma cadeia ampla, só que você vai fazer isso com a participação do setor privado. Diferente do século 20, onde era o governo que fazia, a aposta agora é “vamos fazer aqui, mas vamos trazer o setor privado”. Então o Estado vai ser o ente que vai conceder, liderar as PPPs, mas não vai patrocinar. Esse é o modelo que tende a predominar. Mas esse modelo tem um problema porque quando você coloca o setor privado, a taxa de retorno é uma variável estratégica. Então, onde tem a melhor taxa de retorno? É onde tem a melhor densidade econômica. Logo, o modelo de financiamento leva à concentração naqueles territórios onde a densidade econômica é mais forte. Portanto, entre Nordeste, Sudeste e Sul, (os recursos) tendem a ir para o Sudeste e Sul. E dentro do Nordeste, tende a ir para as grandes cidades, para o litoral, porque aqui também tem concentração. O litoral do Nordeste tem mais densidade econômica que o interior. Então acho que a gente tem que fazer dois debates: o primeiro é como é que o Nordeste vai participar desse novo momento, ou seja, qual é a modelagem desses projetos de PPP, tem gente propondo um fundo garantidor mais pesado para o Nordeste e para o Norte. É possível identificar algumas saídas para o próprio processo. E como o Estado ainda vai ter um dinheirinho, deveria botar mais onde tem menos potencial de trazer investimento privado. O Nordeste e Norte e, dentro deles, o interior. Mas é preciso que a gente faça o debate. Senão o rio corre para o mar.

Os governadores criaram um fórum com os chefes do executivo dos 9 estados do Nordeste. Isso ajuda ou é apenas um pires maior estendido ao Governo Federal?

O que vejo nesse fórum é assim: os governadores negaram a Sudene e criaram um fórum paralelo. E no fórum paralelo não tem secretaria-executiva. A agenda do fórum para mim é um problema. O fórum é bom, mas a agenda termina sendo apenas conjuntural. As reuniões acontecem quando um tema relevante aparece. E como não tem uma estrutura técnica relevante que apoie aquilo, não vem de um debate consolidado, articulado. Eles poderiam ter criado abaixo dos governadores uma estrutura técnica com técnicos dos próprios estados que construíssem a agenda deles, que desdobrasse a agenda deles para complementar as reuniões. E isso não tem. Então as reuniões são episódicas e as pautas são episódicas. Então eles atuam na conjuntura. Agora mesmo se reuniram e fizeram uma carta contra a privatização da Chesf. Mas é pontual. E depois, como desdobra isso? Então, acho que tem um erro de concepção do fórum que leva ele a esse desdobramento. Na Sudene você tinha uma secretaria executiva. Havia um conselho, eles faziam parte, mas quando saía do Conselho você tinha uma estrutura técnica que tratava aqueles assuntos. Os governos estaduais têm técnicos competentes. Mas não tem uma estrutura técnica articulada. É o secretario de planejamento que fica improvisando a pauta que foi escolhida pelo governador. E não há uma pauta regional.

Se a senhora pudesse definir prioridades para a agenda dos governadores, quais seriam?

Ah, eu colocava essa primeiro. Investimento em infraestrutura, o modelo de financiamento precisa ser discutido. O Nordeste tem duas agendas: como participar do debate nacional e como fazer o debate dentro da região, porque na região também há densidades econômicas muito distintas. Uma coisa é o litoral, outra é o interior.

Que investimentos poderíamos ter na região?

Infraestrutura é minha primeira agenda. O investimento feito em educação superior é uma novidade que aconteceu no Nordeste. A matrícula aqui cresceu mais rápido que a média nacional e, dentro do Nordeste, cresceu mais no semiárido do que nas áreas onde ela estava concentrada. Foi uma mudança na última década muito relevante. É um investimento de médio e longo prazo. Então a gente não colheu ainda os resultado porque somos vulneráveis. Os indicadores educacionais do Nordeste são ainda muito distantes da média nacional e, sobretudo, nas regiões mais ricas. Aí o Sul mais que o Sudeste. Eu colocaria na minha agenda a Educação e Educação Superior pelo investimento que foi feito no período recente, que foi numa direção muito boa.

As escolas técnicas se multiplicaram durante os governos do PT…

A presença dos Institutos federais… eu estive em Pau dos Ferros e é impressionante a presença daquele Instituto ali e o papel que ele exerce naquele entorno. É uma novidade muito positiva. Gente que jamais teria chance, teve. Agora é uma coisa que não se consolida num curto prazo, onde a manutenção é que pesa porque o principal custo de uma universidade é professor. Então se começa a cortar aí, a gente pode jogar a banheira com água, com menino, tudo fora. Então eu botava a Educação na minha segunda agenda de investimento.

O Governo Federal vai exatamente na contramão dessa sua proposta ao aprovar a PEC dos Teto dos Gastos que congela por 20 anos investimentos exatamente em educação, saúde…

Eu acho que tem duas coisas: uma é atuar nacionalmente para evitar que isso aconteça. Eu tenho uma leitura da PEC 55 de que a sociedade não aguenta. Quando eu vejo as projeções que o próprio Ministério da Fazenda faz na área de saúde, educação e assistência social… o corte é muito forte. O que seria e o que vai ser, quando você compara isso, o tamanho do hiato é muito grande para uma demanda insatisfeita. Não é uma sociedade estável. A demanda de saúde por exemplo vai crescer porque a sociedade vai envelhecer muito rapidamente. Então minha visão é que essa PEC foi aprovada agora, mas quem viver verá, porque a sociedade brasileira não aguenta com ela. Então essa discussão vai estar presente nas próximas eleições. Talvez nessa com menos força porque está muito próxima…

Com a PEC 55 caminhamos para a educação privada?

O problema da educação privada é que nem todo mundo pode pagar. Porque a educação ampliou? Porque quem financiou foi o Governo. Porque a educação privada cresceu? Porque teve Fies e Prouni. Então a oferta é privada, mas o financiamento é público. E se a crise é pública, vai bater neles também. O que eles estão fazendo? Se atrelando a bancos para que os bancos deles financiem os estudantes. Mas isso tem um limite porque o financiamento do Banco tem que ter um retorno que o financiamento público não tem. Então esse debate nós vamos continuar fazendo. Por isso eu digo que aquilo ali [a PEC 55] não se sustenta. Então essa é uma linha de trabalho. A segunda é uma linha de reflexão: é sobre o que nós mesmos podemos fazer. Aí é um pouco a universidade olhar para dentro dela porque na minha visão tem espaço para a gente se abrir mais, tá certo? Essa fase boa nos acomodou um pouco. Nossa tradição não é de uma interação muito forte, muito menos com o setor privado. Mas também não só com o setor privado, é com outros setores da sociedade civil também. Então a universidade é um pouco isolada. No período das vacas gordas, nosso isolamento aumentou. Mas precisamos ver que a gente tem espaço também de interação mais forte.

O problema também foi modelo de incentivo ao consumo que marcou especialmente o governo Lula e se exauriu no governo Dilma?

Eu defendo que ele continue, ta certo?

Mas ele não se esgotou?

Se esgotou na expectativa que a gente tinha. Então veja: o modelo do governo Lula não apostava só no consumo. Todo economista sabe que o consumo é estratégico. Dois terços da demanda brasileira é consumo. Quando você abre o PIB pela demanda, mais de 60% é consumo, então ele vai ser uma variável estratégica sempre no Brasil. Sempre foi. Quem puxou a economia brasileira no século 20 foi o consumo interno, não foram as exportações. Diferente do Japão, da Coreia do Sul, aqui o mercado interno é uma coisa tão importante… e qual foi a experiência diferente da era Lula? Foi o consumo interno das elites e o fomento do consumo interno da base da pirâmide. A mudança foi quem consumia. Mas a média da renda brasileira é muito baixa. Então, quem botar as fichas todas no consumo está sabendo que vai colocar por algum tempo.

Houve um erro estratégico, então?

A equipe de Lula sabia disso. Tanto que o modelinho era consumo e investimento, ta certo? Porque se a renda média é baixa, você não pode botar suas fichas todas ali. Você tem que combinar isso com investimento. Então renda média baixa é muito importante no Nordeste, 70% das pessoas ocupadas ganha entre 1 e 2 salários mínimos. Mesmo o milagre que Lula tentou fazer, que era juntar crédito com a tua renda, e crédito do jeito que a gente gosta, porque ele dobrou o crédito e escalonou no tempo. Então com 100 paus de uma moto em não sei quantos anos, dá pra você comprar. Mas depois que você compra a moto, compra a televisão, compra o computador… bateu na sua renda. Sua capacidade de endividamento está limitada pela sua renda. E não dá para apostar. Agora acho que o Brasil tem esse potencial. Esgotou, temos que desistir? Não! Pera aí, não vamos desistir, mas vamos combinar melhor isso com o investimento porque acho que vai faltar. Então é combinar melhor isso. Porque toda empresa de fora quer vir para o Brasil? Todo o mundo quer o mercado brasileiro, porquê? Porque é um mercado grande, dinâmico, o brasileiro gosta de consumir… se endivida pra consumir. Então, porque nós vamos renunciar a um potencial que é nosso? Eu sou contra quem diz “ah, exauriu”. Exauriu não, senhor! Deu uma parada e era esperada essa parada. Foi mais profunda por conta da crise.

Na fase da economia pujante a senhora cita o governo Lula. Qual foi o pecado da Dilma?

Vários (risos). Acho que ela … vou dizer dois pecados: o primeiro é uma coisa que ela fez certo do jeito errado, quando em 2012 ela patrocinou a queda brusca da taxa de juros. É uma medida econômica pesada, correta, porque a taxa de juros no Brasil é absurda, mas feita de um jeito errado, sem negociação política, sem análise política… ali ela rompeu o pacto de Lula. Então, era uma medida econômica que teve um desdobramento político porque o pacto de Lula era um pacto de dizer: “vamos melhorar aqui embaixo, mas eu não vou mexer com os de cima”. Então quando você olha as estatísticas de Lula, a base da pirâmide melhora mas o topo da pirâmide está lá garantido. Com essa medida ela meteu a faca ali no pacto político que sustentava o Governo. Perdeu a briga e teve que recuar. E recuou derrotada. E a partir dali, começa o calvário dela. Em 2013 já tem gente na rua de repente e 2014 ela perde a eleição antes de ganhar. Ela perdeu a eleição no primeiro turno porque ela perdeu o Congresso e se elegeu com a vitória de Pirro (obtida a alta preço). Então, esse erro teve um desdobramento. Mas veja que é um erro correto porque a medida, abstraindo o jeito, é uma medida boa.

E o segundo pecado?

O segundo erro foi não perceber a dimensão das mudanças que estavam ocorrendo no ambiente mundial. Porque Lula operou numa janela de oportunidades do mercado de commodities. Com a crise de 2008 e 2009, e a retração da China, de 2010 em diante o mercado de commodities afunda. Então, o que era oportunidade no governo Lula, era problema no governo da Dilma. E a equipe dela não conseguiu perceber a profundidade, até porque foi muito rápida, daquela mudança que estava acontecendo. E aí, a reação da Dilma foi tentar continuar a era Lula, que já não era mais possível. Então, por exemplo, o pacto que ela faz com a FIESP eu não entendo. Por que? Ela renuncia R$ 100 bilhões, quando a receita já estava caindo, para que a turma usasse aquele dinheiro para investir. Como investir, se o consumo já estava desacelerando? A renúncia fiscal vira pó porque ela não vira investimento porque o mercado já não estava sinalizando. Então, ela aprofundou a crise e não resolveu o problema da retomada da economia. E politicamente também foi um desastre porque a FIESP também ficou contra ela. Na hora em que ela precisou, botaram o pato na avenida Paulista. Então deu em quê aquela medida, do ponto de vista econômico e do ponto de vista político? Acho que a equipe da Dilma teve dificuldade em perceber o novo momento que estávamos vivendo. O desdobramento inicial da crise mundial no Brasil não foi tão forte, talvez isso tenha contribuído porque não levamos a paulada de um vez. Então acho que houve uma subestimação e tentou-se fazer o que Lula fez no imediato pós-crise que era dizer: peraí, vamos continuar consumindo! Ele foi para a televisão. Articulou a história da linha branca e ampliou do automóvel para a geladeira…

Faltou articulação política?

Essa era a grande diferença política do Lula para a Dilma. Lula sentava com os heterogêneos, conversava… eu era do Conselhão, fui dos dois. A diferença era da água para o vinho. Lula usou o Conselhão para gerir a crise. Aí tirou do Conselhão, porque era muita gente, umas dez pessoas, e a história da linha branca saiu das reuniões dele com essa equipe. O Lula ouvia as pessoas e, no outro dia, ele implantava. E animava a turma, que contribuía. Então o Lula conseguiu enfrentar a crise de um jeito positivo. Acho que a Dilma tentou fazer isso. Agora tentou em outra conjuntura e sem diálogo.

A senhora destacou que o grande erro da Dilma foi ter quebrado o pacto político do Lula com a elite. É possível governar o Brasil só investindo na base da pirâmide e retirando privilégio dessa elite?

É preciso, mas não é desse jeito. O povo diz assim: fazer o certo na hora errada e do jeito errado é fazer errado. Eu estou com a sabedoria popular. Nem tudo que é certo…tem que escolher o jeito de fazer, como fazer, com quem fazer… quem vai botar para defender… isso é negociação política e no Brasil essa negociação política é muito difícil porque as nossas elites sempre se apropriaram do Estado brasileiro. A gente vai cortar o SUS com a PEC 55, mas não corta a isenção que o mesmo governo dá para quem tem seguro privado de saúde. Eu tenho seguro privado de saúde. Quando faço minha declaração de rendimento, abato o que eu pago do seguro–saúde. E quem paga isso? É o mesmo Estado que está cortando o SUS. Porque corta aqui e não corta ali? E no Brasil não é tarefa fácil, é difícil…

A senhora fala muito em investir em infraestrutura, mas a saída também não estaria numa distribuição mais justa da carga tributária?

Minha primeira reforma seria a reforma tributária. Mais importante do que todas. Primeiro porque nosso sistema tributário é ruim economicamente. Só que eu acho que o nosso empresariado tem a bandeira errada. Eles não querem aumento da carga tributária, ponto. Botam um impostômetro na rua, e foca no tamanho da carga. Nosso problema não é o tamanho da carga, mas a composição da carga. Qual é a nossa composição? É um sistema tributário que foca nos impostos indiretos e não foca nos impostos diretos. Outros países do mundo, a maioria, faz o contrário. Quando você foca no imposto indireto, para a sociedade é ruim porque concentra renda. O imposto indireto entra no preço. Eu cobro ICMS e o cara bota ICMS no preço, o ISS também. Então, você embute no preço aquela carga tributária. Se eu ganhar 10 vezes o que você ganha e pagar este mesmo gravador, nós pagaremos a mesma carga tributária. Então, é injusto por definição. Por isso é que no Brasil quem paga mais é quem tem renda menor e quem paga menos é quem tem renda maior. Agora, economicamente também é péssimo porque taxa a produção torna nossas empresas pouco competitivas quando elas se confrontam com os países que fazem o contrário. É preciso fazer esse debate com a sociedade brasileira. Quando éramos uma economia fechada, protegida para fazer nossas indústrias, isso funcionou, mas no mundo que a gente vive não funciona mais. Então, o Brasil precisa fazer essa discussão. O ICMS é uma excrescência. Pega qualquer empresário lá de fora e tenta explicar para ele o que é o ICMS na origem com alíquota interestadual, guerra fiscal no meio… sabe o que ele faz? Ele contrata um especialista porque é impossível. O ICMS é no destino. Não sai porque São Paulo perde.

E ainda há uma forte dependência dos Estados e municípios das transferências federais, o que deixa os mais fracos, especialmente no Norte e Nordeste, reféns da União…

A gente fez o contrário. A Constituinte queria uma reforma tributária onde fôssemos gradualmente descentralizando a receita pública, até porque a Constituinte descentralizou a despesa. Tentou-se descentralizar a despesa e a ideia é que a receita também descentralizasse. Mas a gente reconcentrou a receita na mão da União. Desde o final dos anos 80, a União criou as tais das contribuições. Por que? Ela não divide com estado e município, fica só para ela. É o contrário do que o Brasil precisa.

Tânia Bacelar concedeu entrevista para agência Saiba Mais antes de receber homenagem do ADURN Sindicato

Qual o impacto da operação Lava-jato na economia?

Enorme. Porque ela pega o núcleo duro das maiores empresas brasileiras, em dois setores que eram o carro-chefe do crescimento na era Lula. E acho até que a Dilma desconsiderou o impacto econômico da Lava-jato, porque (a Lava-jato) pega Petróleo e gás e se você olhar o núcleo de investimento de petróleo e gás, pode pegar os números do BNDES, era líder disparado. Então bate no coração de um segmento que estava puxando a economia, que era petróleo e gás, e o entorno da cadeia. E segundo que você bate nas empreiteiras, que é estratégico para fazer investimentos e são nossas maiores empresas. As nossas grandes empresas são empreiteiras, transnacionais que exportam serviços especializados, uma engenheirada brasileira fazendo projeto de ponte, de porto, o que botar eles fazem no mundo inteiro, então não são irrelevantes do ponto de vista econômico. E onde é que a lava-jato bate? Nos dois pilares. Só sobrou o agronegócio.

A senhora acha que foi de propósito?

Não, mas como era importante também tinha muita corrupção ali. Agora é o seguinte: olhar para a corrupção não significa que você tem que desconhecer o impacto econômico daquilo que está sendo feito.

A lava-jato quebrou o país?

Com certeza.

Mas não é exagero?

Sozinha não, mas que ela deu uma contribuição relevante, com certeza. Olhe onde ela bateu. E não é à toa que ela bate onde tem muito dinheiro.

O problema fiscal do Brasil pode ser resumido na frase “a despesa não cabe mais na receita”? Essa foi a justificativa do governo Temer para aprovar a PEC 55.

O Governo brasileiro faliu nos anos 80. Acho que essa é uma mudança relevante porque até os anos 80, quando a gente fechava as contas públicas, o Estado era superavitário. Com os choques dos juros e o endividamento da era Geisel, a gente entra num vermelho na conta pública. Estamos arrastando esse endividamento desde aquela época. A realidade hoje é uma situação fiscal muito complicada, então isso não pode ser desconhecido. Portanto, tem que mexer na conta pública. Mas qual é o problema da PEC 55? É que ela só mexe num item da conta, que é a despesa primária. E a despesa financeira? E a receita? E a composição da receita tributária? E as isenções? Tem que abrir a conta toda, ler a conta toda e ver onde é que pode diminuir. Que vai precisar ajustar, não resta dúvida. A pergunta é: onde ajusta e onde é que o pau canta? Por enquanto, o pau vai cantar em cima dos mais fracos. O relatório desse ano do Banco Mundial faz uma defesa muito interessante. Ele fez uma estimativa de quanto é que o Governo gasta com os mais pobres. E a conta, ainda modesta, diz que os 40% mais pobres só levam 17% da despesa. Portanto, dá pra fazer o ajuste sem mexer nos mais pobres, tá certo? O grande desafio é político. E como é que faz isso mexendo nos de cima? Como é que tira de quem se acostumou a montar no Estado? Porque o discurso das nossas elites é muito interessante. Todos são liberais, mas todos dependem do Estado. O Brasil é um país desafiador.

*Colaborou a jornalista Jana Sá