Um dia histórico

“Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu”, como diz Chico Buarque. E, por mais poética que seja essa frase, ela carrega uma verdade inescapável. Mas o bom da vida é que nem todos os dias são assim e, vez ou outra, o horizonte se abre e o sol rasga a aurora, anunciando um céu de azul esperançoso. Ontem foi exatamente um desses dias raros, de luz e de reencontros auspiciosos.

Nesta quinta-feira, 11, o Brasil se encontrou com a Justiça. Pela primeira vez na história republicana, golpistas civis e militares foram condenados à prisão pelos crimes de tentativa de golpe e de abolição do Estado Democrático de Direito. Foi, sem dúvida, uma vitória da democracia e um recado claro para qualquer futura horda que ouse ensaiar algo semelhante: a responsabilização será severa e inevitável.

Mas o dia de ontem também foi de encontros com a memória e a história. Na sede do Sindicato dos Comerciários, em Natal, foi lançado um belo livro do historiador mossoroense Lemuel Rodrigues, com a colaboração do jornalista e poeta Caio César Muniz. A obra resgata a trajetória de Luiz Alves Neto, o “Velho”, como o chamavam os mais próximos, nos tempos sombrios da ditadura, revelando episódios de coragem e resistência. O livro também reúne depoimentos de quem conviveu com ele e testemunhou seus ideais.

Conheci o “Velho” nos anos 1980, quando trabalhei com ele na Gazeta do Oeste, onde foi editor. Essa convivência me rendeu o convite para participar do livro com uma caricatura em sua homenagem. No evento, reencontrei amigos queridos, como os pediatras José Maria Caldas e Sérvulo Godeiro. Ontem foi, e será para sempre, um dia inesquecível. Um dia histórico, de justiça, memória e esperança – desses que fazem a vida valer a pena.

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