Bolsonaro: A Tragédia Anunciada

Ao observar o deputado Eduardo Bolsonaro em sua sanha desesperada para livrar o pai criminoso da cadeia, tentando vender descaradamente a soberania nacional ao extremista presidente dos Estados Unidos, não pude deixar de lembrar de uma conversa que tive com um amigo petista. Ele, à época, cogitava se candidatar à prefeitura de Natal. Perguntei se a esquerda e o campo progressista não teriam, ao menos em parte, alguma responsabilidade no surgimento e fortalecimento do fenômeno bolsonarista. Com certo desdém, ele respondeu: “Isso é um fenômeno da extrema-direita no mundo”.
Ocorre que negar O problema é também colaborar para que ele se repita. Em um trecho da aula “Sementes do Caos”, do professor João Cezar de Castro Rocha, no ICL, ele relata episódios surrealistas nos acampamentos em frente aos quartéis: fiéis orando para um pneu murcho, outros levantando celulares como se esperassem um sinal dos extraterrestres pedindo a permanência de Bolsonaro na Presidência. Mas o que mais me chamou atenção foi sua observação final: “A tendência do campo progressista ou da esquerda democrática é apenas achar graça, achar divertir, lamentar o delírio. Mas quando o delírio abraça, aprisiona e sequestra milhões de pessoas, delírio mais não é: é parte objetiva do cenário político.”
A psicologia nos ensina que o primeiro passo para resolver um problema é reconhecê-lo. Por isso, insisto: como é possível que um homem de tamanha nulidade intelectual – expulso do Exército por má conduta, classificado por Ernesto Geisel como “um mau militar” – tenha se tornado vereador, deputado federal por 28 anos e presidente da República?
Na Câmara Federal, Bolsonaro era conhecido como um deputado folclórico do baixo clero. Suas falas grotescas e seus ataques à democracia eram ignorados por muitos, tratados como piada. Relembro algumas declarações: “A atual Constituição garante a intervenção das Forças Armadas para a manutenção da lei e da ordem”, “Sou a favor, sim, de uma ditadura, de um regime de exceção”, “Pobre só serve para votar. Título de eleitor na mão e diploma de burro no bolso”, “Eu sou favorável à tortura”, “Se eu for presidente, sairemos do Comitê de Direitos Humanos da ONU, que é um antro de comunistas”.
Riram. Acharam engraçado. Subestimaram uma figura que, embora incompetente e improdutiva – com apenas três projetos aprovados em quase três décadas, acabou conduzindo o país a um dos períodos mais sombrios de sua história recente. Agora, somos forçados a enfrentar as consequências de seus crimes, como o tarifaço imposto por Donald Trump, fruto direto das negociatas antinacionais promovidas por seu filho e esse grupo
Sim, algum naco de negligência está em nossa comanda. Cadeia aos criminosos!!!
Brito e Silva – Cartunista


