Saudade do 30

Hoje eu acordei com saudades de você. E não era sonho, era verdade. Logo cedo, a repórter da InterTV Cabugi em Mossoró me lembrou que, na cidade da Santa dos Olhos, o feriado do 30 de setembro. Data que pulsa no coração dos mossoroenses: em 1883, a capital do Oeste Potiguar libertou seus escravos, cinco anos antes da Lei Áurea. Desde então, a liberdade corre nas veias desse povo que aprendeu cedo a ser dono de si.
Ah, saudade… Saudade dos desfiles na Coronel Gurgel, quando a farda nova do Colégio Dom Bosco brilhava sob o sol, ao comando firme da professora Dagmar e do professor Filgueira. Saudade da pressa juvenil pelo fim da parada, para correr até a matinê do Clube Aceu, onde os acordes do conjunto – que hoje chamam de banda – Os Bárbaros faziam o salão inteiro vibrar. E nós, entre passos tímidos e sonhos imensos, dançávamos o amanhã sem saber.
Hoje, a saudade personificou-se, quando dei o play na lista de músicas para começar o dia. Bastaram os primeiros acordes de “Ela”, de Antônio Marcos, para um pingo de lembrança escorrer pelo canto do olho. Naquele tempo, quando Os Bárbaros cantavam “Ela”, ninguém ficava quieto: era o convite para atravessar o salão e buscar uma parceira de dança.
Os poetas, esses românticos que choram nos bares, costumam dizer que saudade é coisa boa, sinal de que se viveu algo que valeu a pena.
E eu digo mais: vivas à saudade, viva o 30 de setembro, vivas à liberdade!
Brito e Silva – Cartunista


