Dia Nacional do Cartunista

Em 1979, ingressei no jornal Gazeta do Oeste, em Mossoró/RN, atuando no departamento de arte e diagramação. Três meses depois, com a saída repentina de Eugênio Ramos, fui alçado à direção do setor. Como já ilustrava o segundo caderno, dedicado à arte e à literatura, passei também a assinar uma charge. À época, o jornal ainda era semanal.
Ou seja, faço isso há quase meio século. É, de fato, uma longa caminhada: por vezes serena, como quem navega em águas calmas; em outras, turbulenta; e, não raro, divertida. Lembro de um ex-prefeito de Baraúna/RN que, ao não ler corretamente meu nome na assinatura de uma charge em que era retratado, soltava: “…ainda bota biiito!” – repetindo um bordão dos Trapalhões. Nunca foi enfadonho; sempre há uma boa história para contar.
Os cartunistas, mundo afora, ajudaram e continuam ajudando – apesar do fechamento contínuo dos jornais impressos – a construir o jornalismo do seu tempo: do hoje, do agora. Essa tradição remonta a 16 de dezembro de 1831, quando Honoré Daumier publicou a célebre Gargantua, satirizando o rei Luís Filipe I como um devorador da riqueza do povo francês, obra que lhe custou seis meses de prisão e o fechamento da revista La Caricature.
Mais tarde, em 5 de maio de 1895, o jornal New York World publicou uma versão colorida de The Yellow Kid, personagem de Richard F. Outcault. Esse marco impulsionou o espaço dos cartuns e quadrinhos na imprensa, abrindo caminho para inúmeros personagens que até hoje habitam o imaginário popular.
Embora o dia 15 de abril celebre o Desenhista — em homenagem ao nascimento de Leonardo da Vinci —, é em 5 de maio que comemoramos o Dia Nacional do Cartunista. Uma data que reconhece os artistas que, com traço, humor e crítica, transformam o cotidiano em reflexão.
Portanto, hoje é o nosso dia. E seguimos — com lápis afiado e olhar atento — desenhando o mundo como ele é… ou como deveria ser. ✏️
Brito – Cartunista


