Preço e valor

Outro dia dei um Google para entender a diferença entre PREÇO e VALOR. Queria uma resposta daquelas que coachs têm entusiasticamente na ponta da língua, com direito a metáforas e jargões motivacionais: “Você não é caro, você é raro!”, coisas assim que faz você correr à Amazon e comprar livros Philip Kotler. Eu só queria saber se aquilo que eu faço ou vendo vale mais do que o mercado insiste em pagar – e, de quebra, descobrir afinal o que é esse tal de valor agregado. Spoiler: nem o Google soube me explicar sem me deixar zonzo.
É verdade. A definição até veio bonitinha, cheia de firulas acadêmicas: “Preço é quantia monetária objetiva, resultado de fatores de mercado. Valor é percepção subjetiva, benefício, experiência emocional”. Traduzindo para o português, cantado lá, nos Paredões, na embaixada do Principado de Baixa do Chico: PREÇO é quando você quer comprar; VALOR é quando você quer vender.
Funciona assim:
– “Nossa, que trabalho lindo, você é um verdadeiro artista, parabéns, maravilhoso, incrível, divino, quase Michelangelo!” Isso é VALOR.
Logo depois vem o:
– “Mas tá caro…” isso é PREÇO.
Aprendi faz tempo a não vender meu trabalho, porque sei o quanto custou pra mim. No fim, sucumbo e acabo recebendo uma merreca simbólica, e a pessoa vai usufruir daquele trabalho até o fim dos tempos. Eu, no máximo, fico com a sensação de ter feito um empréstimo vitalício da minha própria arte, passo a ser um “mutuário” um “tomador” sem direito a resgate.
O problema é que tem gente que só enxerga preço. Vive com calculadora na cabeça: no arroz, no vestido, no passeio, até no casamento. Olham pro sol e não veem luz, veem a conta de energia. Olham no espelho e, no lugar do rosto, aparece o cifrão. Essa turma acredita piamente que até a imortalidade terá um QR Code com o valor parcelado em 12 vezes sem juros.
Pobres diabos, autoprecificados.
Brito e Silva – Cartunista.


