Um conto de Curitiba

Não diria respeitem minha inteligência, pois deste mal não padeço. Mas, insisto, suplico paciência com minha minúscula e microcefalada cachola, por não entender este belo conto – de fazer inveja aos irmãos Grimm -, forjado nos porões e esgotos do submundo da corrupção. Dois “companheiros” de crimes, na eminência de serem postos à luz, sentam para uma conversa, um deles – possivelmente, o “chefe”-, sugere ao outro que apague, destrua, lave com água e sabão Omo suas pegadas e digitais que possam incriminá-lo ao xilindró. Friends forever!

Imposto pelo o alfha, de esfregão, água sanitária nas mãos e zeloso como uma dama “bela, recatada e do lar”, retira as marcas incriminatórias, direcionando o nauseante chorume para o ralo. Limpo o fedor e, ainda de joelhos, reza ao seboso Belzebu pela tarefa cumprida.

Mas, porém, entretanto, o ASG e comparsa cometeu um fatal erro: esqueceu de apagar suas próprias pegadas de porte igual ou maiores das tatuadas somente no Vale dos Dinossauros, no estado da Paraíba.

Pego pela onda de sujeira que desce do andar de cima. Foi gozar férias compulsória, de 23 anos, em um aconchegante quarto de 3×3, com direito de ficar de papo pro ar, dourar seu bronze de escritório, sem a aporrinhação do mundo aqui fora: celular, computador, engarrafamento de helicóptero, redes sociais e diabo a quatro.  Agora, vem querer renunciar a vida boa. Roga guarida à sombra da frondosa árvore da delação premiada. Jura, implora, nos instiga a acreditarmos em seu conto, escrito em momento de profunda criação naquele ambiente aprazível inspirador. Pode isso, Moro?

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